Preso nos Estados Unidos traficante pedófilo que possui ligações com a família Clinton

Arte: Fellipe Villas Bôas


Por Wilson Oliveira

O pedófilo Jeffrey Epstein foi preso neste sábado (06), nos Estados Unidos, acusado de tráfico sexual de dezenas de menores em Nova York e na Flórida entre os anos de 2002 e 2005. Agora ele comparecerá aos tribunais de Nova York na próxima segunda-feira, de acordo com três fontes policiais ouvidas pelo jornal "The Daily Beast". A prisão faz parte de uma força-tarefa criada pela divisão de Nova York do FBI para combater crimes contra crianças. As investigações estão correndo faz alguns anos e agora chegou no bilionário de 66 anos de idade, que passou a figurar como número 1 na lista dessa operação após ser denunciado por molestar dezenas de garotas menores de idade na Flórida.

A Justiça dos Estados Unidos está há mais de uma década recebendo denúncias anônimas sobre abuso de menores, todas que se cruzam com as acusações em cima de Epstein. O magnata tem sido alvo de ações judiciais movidas por vítimas, que servem para alimentar investigações de autoridades locais e federais, além de intermináveis reportagens na imprensa. Mas apesar de toda a repercussão do caso, que agora atravessa as fronteiras e começa a repercutir em todo o mundo, Jeffrey Epstein não economizou boa parte da sua fortuna para evitar uma condenação significativa, sem falar nas acusações federais, o que o torna um dos traficantes sexuais de menores mais perigosos do mundo.

Diante do juiz, em um tribunal de Manhattan, nesta segunda-feira, Epstein vai encarar a mais nova e possivelmente mais pesada acusação entre todas as que recebeu na última década. A promotoria irá apresentar informações sobre um esquema de tráfico que tem dezenas de garotas menores de idade como vítima. O esquema consiste em um pagamento em dinheiro por "massagens", que depois se transforma em um abuso sexual. Os locais investigados pelo FBI são uma mansão localizada em Upper East Side e um palácio que fica em Palm Beach.

Epstein pode pegar uma pena de 45 anos de prisão a serem cumpridos na íntegra. O caso está sendo tratado pela Unidade de Corrupção Pública do Distrito Sul de Nova York, com a assistência dos funcionários do tráfico humano do distrito e do FBI. O caso também envolve associados do bilionário, que são acusado de recrutaram as meninas para o abuso de Epstein, sendo que algumas dessas meninas também se tornaram recrutadoras. As garotas tinham apenas 14 anos e Epstein sabia que eram menores de idade, segundo detalhes da prisão e acusação compartilhada por dois oficiais.

Em uma época em que uma campanha lançada em todo território americano, chamada #MeToo, derrubou homens poderosos, o nome de Epstein ficou praticamente ausente, até que o jornal "Miami Herald" publicou uma série de três reportagens sobre como sua riqueza, poder e influência o protegeram da acusação federal. Durante anos, The Daily Beast relatou o suposto abuso de Epstein, começando com as revelações de Conchita Sarnoff sobre a sua leve sentença de prisão e tratamento diferenciado pelo procurador estadual de Palm Beach, que no final descartou uma acusação de 53 páginas contra Epstein.

A RELAÇÃO DE JEFFREY EPSTEIN COM A FAMÍLIA CLINTON

A vida do magnata Jeffrey Epstein é repleta de pontos de interrogação. É dito que Epstein administra uma fortuna que gira em torno de US$ 15 bilhões para clientes abastados, mas, além do fundador da Leslie Wexner, sua lista de clientes é um segredo bem guardado. De acordo com um ex-professor de matemática de Dalton, o magnata mantém um salão peripatético de cientistas brilhantes e ainda não possui diploma de bacharel. Por mais de dez anos, ele tem sido ligado às mais importantes figuras da alta sociedade de Manhattan e de Londres, como Ghislaine Maxwell, filha do misteriosamente falecido Titã da mídia Robert Maxwell.

Epstein mantém uma imagem pública de um homem solteiro, registrando 600 horas por ano em seus vários planos enquanto percorre cidades, apresentando um mundo de oportunidades para investimentos a potenciais clientes. Ele tem como álibi para suas negociações a maior casa privada de Manhattan e uma ilha particular de 100 acres em St. Thomas. Mas além disso, uma relação muito próxima com o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e a senadora Hillary Clinton. Durante o Governo Clinton, Epstein acompanhou o ex-presidente em uma viagem para a África, cujo objetivo era tratar de questões como o desenvolvimento econômico e a AIDS.


No retorno da viagem, Epstein se derramou em elogios a Bill Clinton para a imprensa americana. Em uma entrevista, chegou a declarar: “Se você fosse um lutador de boxe no ginásio da 14th Street e Mike Tyson entrasse, seu rosto teria a mesma aparência que esses líderes estrangeiros tiveram quando Clinton entrou na sala. Ele é o maior político do mundo". Para o magnata, Bill Clinton merece ser tratado "como uma espécie que representa a forma evolutiva mais alta do animal político".

E os elogios foram retribuídos. Por meio de uma nota oficial publicada na época, Bill Clinton declarou: "Jeffrey é um quadro do mercado financeiro tão altamente bem-sucedido como um filantropo comprometido com um grande senso de mercados globais e um profundo conhecimento da ciência do século XXI. Particularmente, apreciei suas percepções e generosidade durante a recente viagem à África para trabalhar na democratização daquele continente, na capacitação das pessoas mais pobres, na prestação de um serviços aos cidadãos e no combate ao HIV”.

O que fez Bill Clinton se aproximar de Epstein foi bastante simples: ele tinha uma coleção de aviões. O Boeing 727, no qual levou Clinton para a África e, para viagens mais curtas, um Gulfstream preto, um Cessna 421 e um helicóptero para transportá-lo de sua ilha para St. Thomas. Clinton organizou uma turnê de uma semana junto com Epstein que passou por África do Sul, Nigéria, Gana, Ruanda e Moçambique, todas constando na agenda oficial do ex-presidente Clinton. Então, quando o homem do presidente, Doug Band, apresentou a ideia a Epstein, ele disse que sim. Como um bônus adicional, Kevin Spacey, um amigo próximo de Clinton, e o ator Chris Tucker participariam do "passeio".

Após a viagem na comitiva do então presidente dos Estados Unidos, os amigos mais próximos de Epstein relataram que ele ficou bastante preocupado (e até mesmo horrorizado) com a onda de atenção que ele passou a receber da mídia americana (o seu escritório de Villard House, acostumado a receber ligações de atores do mercado financeiro, passou a receber uma enxurrada de telefonemas de meios de comunicação). 

Antes de se aproximar dos Clinton, Epstein nunca havia concedido uma entrevista formal, nem sua foto havia aparecido em nenhuma publicação. No entanto, para alguém tão obcecado com sua privacidade, uma pergunta ficou no ar: "Ele não sabia que voar com Clinton e Spacey pela África iria explodir seu disfarce?". Um amigo do magnata chegou a declarar em uma entrevista, à época: “Se meu objetivo final fosse permanecer em sigilo, viajar com Clinton era uma má jogada no tabuleiro de xadrez".

RELAÇÃO POLÍTICA AJUDOU EPSTEIN A ABAFAR SEUS CASOS NA JUSTIÇA

Como noticiado pelo jornal "The Daily Beast" em abril de 2017, o escritório do procurador estadual em Palm Beach se recusou a prosseguir com acusações sérias contra Epstein (registrando apenas uma única contagem de crimes de solicitação de prostituição), alegando que as meninas não eram pessoas que aparentassem confiança e credibilidade. O chefe da polícia local, Michael Reiter, acusou os promotores de dar tratamento especial a Epstein e em 2006 encaminhou o caso ao FBI. Em maio de 2007, a Procuradoria dos EUA em Miami redigiu uma acusação de 53 páginas contra o Epstein, juntamente com um memorando de acusação de 82 páginas. Naquele verão, no entanto, os advogados de Epstein trabalharam para abafar o caso, alegando que Epstein não era culpado de nenhum crime federal.

Epstein e os promotores elaboraram um acordo de não-acusação em setembro de 2007. Sem informar nenhuma das vítimas, os dois lados decidiram que Epstein se declararia culpado pelas acusações estaduais (solicitação de prostituição e aquisição de menores para prostituição) e renunciaria seu direito de contestar danos, se as vítimas decidissem processá-lo pelo abuso. Ele também concordou em pagar os honorários do advogado das meninas. De fato, o NPA declarou que “os Estados Unidos, em consulta e sujeito à aprovação de boa-fé do advogado de Epstein" escolheriam um representante legal para as vítimas, que seria pago por Epstein.

O DEPOIMENTO QUE DESVENDA COMO O ESQUEMA COMEÇOU

Em um depoimento em abril de 2019, uma mulher chamada Maria Farmer disse que conheceu Epstein e Ghislaine Maxwell, que se apresentou como esposa de Epstein, em 1995, em uma das suas exposições de arte em Nova York. Em 1996, Epstein e Ghislaine teriam oferecido um emprego para Maria ajudá-los a adquirir peças de arte. Mas de acordo com a própria Sra. Farmer, ela acabou indo trabalhar na mansão do Upper East Side de Epstein, ficando responsável por manter registros de seus visitantes.

Maria Farmer afirmou em depoimento ao FBI que algumas desses visitantes eram garotas menores de idade em uniformes escolares que seriam levadas a um quarto no andar de cima para o que Ghislaine chamava de "entrevistas para cargos de modelagem". A Sra. Farmer testemunhou o advogado e amigo de Epstein, Alan Dershowitz, professor de Direito de Harvard, que também comparecia ao andar de cima, onde as meninas estavam presentes.

O operação do FBI que investiga crimes contra a criança está levantando todas as acusações que caíram sobre Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell. Estima-se que o andamento dos trabalhos leve os agentes a descobrirem conexões cada vez mais sofisticadas, podendo envolver agentes da justiça e da política dos Estados Unidos. O caso ainda pode revelar muitos fatos inesperados e surpreendentes, como um barril de pólvora capaz de derrubar muita gente poderosa.

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Preso nos Estados Unidos traficante pedófilo que possui ligações com a família Clinton Preso nos Estados Unidos traficante pedófilo que possui ligações com a família Clinton Reviewed by Wilson Oliveira on 15:23:00 Rating: 5

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