Eduardo Bolsonaro tentará assumir PSL; criar partido conservador é plano B


Por Wilson Oliveira

A família Bolsonaro já tem uma estratégia definida sobre como agir após a confusão desta semana que desabou para uma crise no PSL, com o presidente Jair Bolsonaro pedindo para um apoiador esquecer Luciano Bivar, que respondeu dizendo que Jair estava afastado da legenda. O plano A é colocar o deputado federal Eduardo Bolsonaro para assumir a presidência nacional do PSL, levando também alguns nomes conhecidos da direita para integrarem a executiva do partido, como o Príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança, também deputado federal, e Edson Salomão, líder do Movimento Conservador. Eduardo desistiria da embaixada brasileira nos EUA para desempenhar essa função.

Fontes ouvidas por O Congressista ao longo desta quarta-feira garantem que essa é a última cartada da base bolsonarista que tenta assumir e organizar o PSL transformando-o em uma legenda verdadeiramente conservadora. Com eleições internas marcadas para novembro, o nome de Eduardo surgiu como alternativa para derrotar Luciano Bivar. No entanto, o grupo acredita ser possível apagar o incêndio desta semana e garantir que Eduardo seja conduzido ao cargo máximo da legenda sem precisar de uma disputa com Bivar, o que poderia gerar novo caos. Aliados de Luciano Bivar, por outro lado, garantem que a proposta não será aceita.

Se Eduardo Bolsonaro se tornar presidente do PSL, haverá uma reforma no partido, com mudança de nome justamente para “Conservadores” e a validação de um estatuto que está em fase final de elaboração. Caso a base política de Jair Bolsonaro não consiga obter sucesso ao tentar colocar Eduardo no comando nacional do PSL, entrará em curso o plano B: a criação de um partido conservador, que se chamará “Conservadores”. Inclusive, esse estatuto que está quase pronto será o ponto de partida oficial, com a coordenação do próprio Eduardo Bolsonaro, que nas suas viagens aos Estados Unidos conheceu de forma mais profunda a estrutura programática do Partido Republicano e pretende aplicar pontos em comum nesse partido que pode ser fundado aqui no Brasil.

Como a formação de um partido no Brasil leva tempo, pois é necessário recolher uma quantidade grande de assinaturas distribuídas percentualmente em cada estado, atender uma série de exigências burocráticas do TSE e ainda aguardar a homologação em uma fila virtual que pode levar anos, o Patriota pode ser o abrigo da família Bolsonaro e dos seus apoiadores entre o tempo após a saída de todos do PSL e o registro oficial do novo partido. Alguns membros desse grupo que trabalha com Eduardo Bolsonaro entendem que é necessário, além da construção de um partido genuinamente conservador, ter outras legendas de apoio que sirvam como linhas auxiliares. O Patriota seria um a desempenhar esse papel.

Nesse caso, um novo problema surge no horizonte: esses parlamentares só podem trocar de legenda na janela partidária, caso contrário perderão seus mandatos. Até por isso tomar o comando do PSL permanece sendo a primeira opção.

Uma possibilidade que também está sobre a mesa para encurtar esse tempo caso esse plano B entre em execução é anexar o projeto “Conservadores” à refundação da UDN, que já se encontra em etapa avançada junto ao TSE, com todas as assinaturas necessárias já colhidas, faltando apenas cumprir as últimas etapas burocráticas exigidas pela Justiça Eleitoral. O nome do partido, nesse caso, se manteria União Democrática Nacional, mas o estatuto adotado seria esse elaborado por Eduardo Bolsonaro, que muito provavelmente assumiria o posto de presidente nacional do partido. Os fundadores da nova versão da UDN já se mostraram a favor de ter o filho do presidente da república como mandatário do partido.

Vale lembrar que apesar da grande mídia ter divulgado apenas nesta semana, a briga dentro do PSL já vem se arrastando há meses. Um grupo decidido a mudar os rumos do partido de forma antecipada, liderado pelo deputado federal Bibo Nunes (PSL-RS), chegou a cogitar uma derrubada de Bivar do comando da legenda ainda em setembro, mas desistiram após receberem conselhos da advogada de Bolsonaro, Karina Kufa, que também estava advogando para o PSL, a aguardarem as eleições internas da legenda. Ela foi desligada do partido na tarde desta quarta-feira. Bibo já teve uma discussão áspera com Bivar, com troca de xingamentos, e foi expulso do grupo de whatsapp dos deputados federais do PSL. Bivar é o único administrador desse grupo e ele também já baniu outros parlamentares, como Luiz Philippe de Orleans e Bragança, que também deixou a executiva do diretório paulista.

A última vez que o Brasil teve um partido genuinamente conservador foi na época do Império, quando o sistema era bipartidário - a outra legenda era liberal. A União Democrática Nacional (UDN), principal linha de oposição ao governo de Getúlio Vargas e que tinha Carlos Lacerda como um dos principais líderes, era um partido de várias tonalidades, considerado conservador no sudeste e fisiológico e coronelista no nordeste.

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