Bolsonaro chuta Mandetta e põe Damares Alves na linha de frente do coronavírus


Por Wilson Oliveira

De acordo com informações obtidas por O Congressista diretamente com um membro do Governo, chegou ao conhecimento do presidente Jair Bolsonaro a construção de um plano articulado para o ministro Luiz Henrique Mandetta ganhar a sua demissão, virar o principal crítico do Governo e assim construir o seu nome como candidato do centrão em 2022.

Ou seja, após ter sido demitido, Mandetta concederia entrevistas para emissoras de TV, jornais impressos do Brasil e do exterior desgastando totalmente a imagem do Governo Bolsonaro. Enquanto isso, mídia brasileira e governadores inflariam número de infectados e mortes por covid-19 no País. A ideia era passar para a população brasileira e para o mundo que Bolsonaro demitiu Mandetta por "vaidade" e "inveja" e que os casos de coronavírus estavam saindo do controle. De quebra, ainda surgiria o maior crítico do Governo, que passaria a ser porta-voz tanto do centrão como da esquerda.

O presidente Bolsonaro, que é um político experiente, cercado de pessoas rodadas e que já perceberam o que está sendo traçado, resolveu agir pra destruir esse plano: Mandetta segue no Ministério da Saúde, pelo menos por enquanto. Porém, sem conceder entrevistas. Damares Alves passa a ser a maior voz do Governo sobre coronavírus. Inclusive, hoje a ministra da Família, Mulher e Direitos Humanos anunciou a entrega de 323 mil cestas básicas em áreas indígenas.



- São inúmeras iniciativas para alcançar os povos de comunidades tradicionais. Mas há um foco maior na comunidade indígena - disse Damares Alves, que nesta segunda também concedeu uma entrevista exclusiva à CNN Brasil, defendendo o presidente Bolsonaro e deixando nas entrelinhas que Mandetta está isolado no Governo, sem apoio de nenhum outro ministro. Nesses próximos dias será comum Damares e outros ministros, como Braga Netto e Onyx Lorenzoni, darem entrevistas.

Esse xeque-mate de Jair Bolsonaro frusta profundamente a mídia, os governadores, Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre e STF, pois cada um desses personagens entraria em ação pra ajudar nesse desgaste do Governo. Agora todos eles ficaram sem saber o que vão fazer, já que Mandetta nem foi demitido nem ficará mais "falando a vontade". Efraim Filho, líder do DEM, partido de Mandetta, afirmou que hoje o ministro fica, mas que ele não sabe o que vai acontecer daqui pra frente.

O saldo desta segunda-feira é o seguinte: Bolsonaro vence, e todos que querem destruir o presidente saem derrotados. Mas nesta terça haverá novas reuniões entre o presidente e seus ministros de confiança. A demissão de Mandetta continua com alguma possibilidade.

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