Não tem militar e nem solução mágica; precisamos dominar o Congresso


Por Thiago Cortês

José Dirceu é um dos poucos militantes de esquerda que realmente estudou a teoria revolucionária. É um quadro intelectual, diferente de um Ciro Gomes ou Boulos.

Dirceu já viveu clandestino, já mudou de rosto, de nome e até de família. Foi mesmo pra Cuba. E ressurgiu para governar o Brasil, tendo Lula como office-boy de luxo.

Quando Bolsonaro foi eleito, Dirceu friamente observou que uma coisa é vencer eleição, e outra, bem diferente, é conquistar o poder.

E qual tem sido a grande preocupação de José Dirceu nos últimos tempos?

O acampamento "revolucionário" de Sara Winter? As mitadas Turn Down For What? As "notas de repúdio" do clube militar?

Risos.

Dirceu sabe que o seu inimigo não é uma direita mitadora, que passou anos xingando muito no twitter, mas nunca estudou a fundo o Estado. E agora, que virou governo, está tremendo de medo e falando em desistir.

Ele não nos enxerga como protagonistas de coisa alguma, mas meros espantalhos.

E, então, quem é o protagonista?

José Dirceu qualificou o Judiciário como um órgão que já está dissociado da República, que age de acordo com uma lógica própria, e alertou que o STF está fora do controle civil.

"Primeiro, deveria tirar todos os poderes do Supremo. Não sei por que chamam Supremo. Deveria ser só Corte Constitucional. Só existem dois poderes: os eleitos, que têm soberania popular, o Legislativo e o Executivo", defendeu Dirceu.

A juristocracia é o grande inimigo. E nesse momento emerge como uma ditadura. Nela o ministro do STF acusa, investiga e julga.

É inimiga não apenas de Dirceu e seus desvairados herdeiros esquerdistas, mas de todos nós, que ainda acreditamos em coisas antiquadas como eleições e disputas políticas pelo Estado, em soberania civil, representação e liberdade política.

É um poder em grande parte do tempo blindado de paixões ideológicas.

É como um capanga corpulento, violento, malicioso, que já serviu a vários senhores e um dia apenas percebeu que poderia muito bem servir a si mesmo.

É o ministro do STF, mas também uma teia de altos servidores públicos que permanecem em seus postos qualquer que seja o governo.

Dirceu tem razão quando diz que o STF deveria ser, no máximo, uma Corte Constitucional bem limitada.

Não basta impichar um ministro que está sendo malvado conosco. E nem exigir concurso público para o STF. A tecnocracia é formada, em sua maioria, de concursados. É ridículo achar que isso muda algo.

É preciso submeter o Judiciário novamente ao controle civil e, acredite ou não, isso passa por fortalecer o Legislativo.

O Legislativo deve voltar a ser altivo e desautorizar o Judiciário quando for necessário - sempre que possível.

Vocês se lembram de Renan Calheiros cagando solenemente para o Oficial de Justiça do STF que foi notificá-lo de seu afastamento da presidência?

NENHUM senador da Mesa Diretora assinou a notificação. Nem a recepcionista no gabinete. E o então advogado do Senado, Alberto Cascais, avisou que a Mesa decidiu aguardar a decisão do Pleno sobre a liminar do ministro Marco Aurélio Mello, afastando Renan. Ou seja, cagaram.

Acredite ou não, isso foi um ato de grandeza do Senado. São os senadores que têm espaço de manobra constitucional para peitar o STF.

Parem com o papo bobo sobre diminuir o número de legisladores: precisamos de novos Eduardo Cunha.

O que fazer? (Perguntaria Lênin)

Dirceu elogiou os "coxinhas que vão pra rua". Mas justificou que a esquerda não está nas ruas porque está fazendo "pressão interna".

Eles têm seus comitês de pressão por estados e nichos. Associações, sindicatos, montes de siglas. A maioria formada pelas mesmas pessoas. Mas funciona.

O Congresso cede, basta saber jogar e instrumentalizar do jeito certo.

Precisamos das organizações, das entidades, das siglas. O nosso lado não pode contar apenas com pessoas físicas lutando sozinhas (como foi na votação do AbortoDuto)

Precisamos de CNPJ's para transitar pelos corredores do Congresso e fazer pressão interna, inclusive com deputados do nosso lado (vide o caso do AbortoDuto).

Precisamos do Congresso para enfrentar o STF. Não tem militar e nem solução mágica.

Ou aprendemos a jogar o jogo ou continuamos lançando rojão em prédios.

VEJA TAMBÉM NO VÍDEO ABAIXO:

>>Positivismo e intervenção militar: a assombração da direita



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