Com Especial de Natal, Brasil Paralelo dá imenso salto de qualidade e importância


Por Wilson Oliveira

Todos os brasileiros que gostam do Natal, no sentido mais verdadeiro desta data, ganharam um presente marcante e inesquecível. O especial da Brasil Paralelo. Foram três episódios que inauguraram com maestria o espírito natalino neste ano tão complicado para a sociedade de um modo geral. 

Provavelmente a grande unanimidade do Especial de Natal foi o depoimento de Ana Paula Henkel sobre o momento que anunciou sua gravidez para os pais. A ex-jogadora de vôlei relatou a reação do seu pai no episódio e como as palavras dele a ajudaram no trabalho em uma ONG americana que luta contra o aborto. Com certeza foi o momento mais marcante dos três dias de Especial. Palavras emocionantes, cirúrgicas, de ensinamentos e que tocam a alma profundamente. 

A gravidez sempre será uma bênção de Deus, sempre será a vida batendo à porta. Acredito que todos que assistiram ao segundo episódio do Especial de Natal devem fazer um agradecimento a Ana Paula por ter compartilhado esse testemunho. Certamente as palavras do seu pai ficarão guardadas para sempre na memória de muita gente. E tomara que não sejam apenas lembradas, mas que também sirvam pra surtir o efeito desejado pelo pai da medalhista olímpica pela seleção brasileira.

E se a gente imaginar que a direita está em processo de formação de uma base, podemos dizer que além de termos um ótimo jornalista e apresentador, também temos um ótimo mediador de debates. Luis Ernesto Lacombe forneceu as pitadas necessárias de equilíbrio e seriedade, mas ao mesmo tempo com leveza e simpatia, ao Especial de Natal, que, muito graças a Lacombe, foi um misto de debates sobre temas sérios e delicados, mas que aconteceu, na medida do possível, de forma descontraída e animada.

O príncipe e deputado Luiz Philippe pareceu um pouco fora do seu habitat. Talvez seja uma percepção enviesada pelo fato deste que vos falar ter se acostumado a ver LPOB falando sobre reforma política e histórias das monarquias pelo mundo. Mesmo com essa ponderação, ainda assim ficou a impressão que ele poderia ter falado mais sobre a família real brasileira, da qual é integrante, principalmente pelo fato dele ter participado do episódio que tinha a família como um dos temas.

Mas outro que se destacou bastante foi o médico psiquiatra Ítalo Marsili. Confesso que eu ainda não tinha visto a participação completa nem vídeos inteiros do psiquiatra, apenas trechos que foram altamente compartilhados quando a direita ensaiou uma campanha para que ele fosse convidado para ser ministro da saúde. A época, muitos discordavam dizendo que ele era um criador nato de polêmicas. 

Uma das grandes lições do Especial de Natal é que precisamos ouvir a pessoa antes de formalizar alguma conclusão. De todos os convidados, Marsili pareceu o mais confortável para debater sobre os mais variados temas. Não por acaso, foi o único debatedor a participar dos três episódios, cumprindo um papel importantíssimo de abordar o lado mais psicológico dos temas.

Quem melhor aproveitou seu tempo de fala foi o youtuber libertário Paulo Kogos. A entrada dele no terceiro episódio, já em andamento, trouxe um ar de participação especial. E logo na sua primeira resposta, Kogos já adquiriu o status de principal participante do painel com uma fala mais forte, mais incisiva, carregada com uma dose de crítica até então não vista nos episódios anteriores. Paulo Kogos conseguiu ser o diferencial necessário para lembrar a todos que assistiam ao Especial de Natal que nem tudo são flores, e que as pessoas, principalmente os cristãos, têm cometidos grandes erros com relação ao Natal.

A parte musical do especial é outra que merece destaque. A direita não poupa críticas - com absoluta razão - ao que convencionou-se chamar de cultura nos últimos tempos, mas que na verdade só serve pra transformar as pessoas em seres superficiais e sem valor, reduzindo a pó a capacidade do ser humano de se aproximar uns aos outros espiritualmente. 

A boa música trazida pela Brasil Paralelo nos lembra que mais importante do que criticar a degradação cultural em andamento não apenas no país, mas no mundo, é valorizar e resgatar a alta cultura, a música de qualidade, tudo aquilo que detém enriquecimento histórico e de conteúdo. O pianista Álvaro Siviero certamente foi um dos principais participantes, não só pela sua inquestionável habilidade musical, mas também pela sua surpreendente (ou não tão surpreendente assim) articulação de ideias e, obviamente, pelo seu arranjo histórico-cultural nos seus comentários.

É interessante notar que foram três episódios de mais ou menos uma hora e meia, totalizando quatro horas e meia de conteúdo. Com música, poesia e ótimas conversas, em nenhum momento falou-se de política ou de temas históricos relacionados a ideologias e guerras, que é o principal foco dos documentários da Brasil Paralelo. Ao contrário disso, os temas trouxeram assuntos bastante necessários, que não podemos deixar fora de órbita, como família, relacionamento, Natal, Cristo, amor. 

Geralmente as pessoas passam tanto tempo comentando temas relacionados à política, principalmente nas redes sociais, que talvez sem perceber se transformam em seres estressados, até mesmo raivosos, cuja especialidade passa a ser a reclamação e o desejo de destruir algo, alguém ou alguma ideia. Os painéis do especial foram importantes para resgatar o lado mais humano de cada um de nós. Não podemos permitir que os problemas do Brasil (que são muitos, são graves e são dramáticos) nos roubem a dignidade humana e aquela condição bastante primordial: a de vivermos nossa vida. Reclamar na rede social não pode ser o principal motivo de vida para quem quer que seja.

Certamente, com esse maravilhoso Especial de Natal, a Brasil Paralelo cacifa-se para ser a principal organizadora de grandes debates da direita, algo tão necessário para os direitistas brasileiros. Mas é claro que, até mais importante do que isso, é que a BP consiga se tornar ainda mais conhecida do que já é e obtenha cada vez mais membros assinantes. Costumo dizer que essa é uma obrigação de todo conservador brasileiro. 

No momento em que falamos sobre a necessidade de se construir uma base conservadora no país, é olhando o trabalho da Brasil Paralelo que vemos o único lugar no país onde esse processo está em estágio avançado. A cada ano, a BP contribui mais. Se antes era com ensinamentos históricos e ideológicos, agora em dezembro de 2020 vimos um salto de qualidade imenso e descobrimos que não haverá limites para os profissionais da produtora. Basta que todos aqueles que ainda não se tornaram membros patriotas o façam o quanto antes.