Cúpula do DEM planeja se reaproximar de Bolsonaro e deixar Maia isolado

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Por Wilson Oliveira

Cada vez mais enfraquecido. É assim que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tem sido visto por vários políticos em Brasília, inclusive aliados. 

Esta sexta-feira, 11, muito provavelmente marcou o início de uma movimentação que não surpreendeu quem acompanha de perto os acontecimentos DEM. A cúpula nacional do partido, assim como nomes fortes da legenda, colocaram em prática um plano de reaproximação com Bolsonaro e isolamento de Maia dentro do seu próprio partido.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que está articulando uma candidatura na eleição da Casa com apoio do presidente Jair Bolsonaro, rompeu relações com Rodrigo Maia. Na opinião de Alcolumbre, o STF vetou a sua reeleição para a presidência do Senado por culpa do seu colega presidente da Câmara, que na opinião de Davi deveria ter deixado claro que não tentaria um terceiro mandato à frente da Câmara dos Deputados antes mesmo da votação no Supremo sobre essa possibilidade. 

Presidente nacional do DEM, o prefeito de Salvador ACM Neto concordou com Davi Alcolumbre e não esconde que tem profundas divergências com Rodrigo Maia. Em vários momentos ao longo de 2019 e 2020, ACM pediu que Maia não comprasse briga com o presidente Jair Bolsonaro, sendo sumariamente ignorado em praticamente todas as vezes. 

Também nome de peso do DEM, o governador de Goiás Ronaldo Caiado foi mais um a entrar nessa movimentação de isolamento de Rodrigo Maia. Nesta sexta, Caiado criticou publicamente o governador de São Paulo, João Doria, por querer ignorar o plano nacional de vacinação que será desenvolvido pelo Ministério da Saúde para fazer um plano próprio no estado de São Paulo com a vacina da China. 

Doria, que não esconde de ninguém a vontade de disputar a presidência da república em 2022 por seu partido, o PSDB, é um dos nomes preferidos de Maia para a eleição daqui a dois anos. O deputado carioca, inclusive, sonha ser vice na chapa com o governador de São Paulo, embora também tenha elogiado o nome de Luciano Huck para ser candidato. No entanto, na bolsa de apostas de Brasília, a chance do DEM fazer uma dobradinha com os tucanos em 22 começou a sofrer uma queda. 

Além do DEM participar do Governo Federal com dois ministros - Tereza Cristina, na Agricultura, e Onix Lorenzoni, na Cidadania - o partido está perto de oficializar a candidatura de Rodrigo Pacheco para a presidência do Senado, com apoio de Jair Bolsonaro. 

Na Câmara, após o Republicanos anunciar que estava fora do bloco liderado por Rodrigo Maia na eleição daquela Casa, os próprios deputados do DEM começaram a fazer críticas internas à forma como Maia está conduzindo a escolha de um candidato para a disputa. Nomes do partido começam a considerar a possibilidade de traição, passando a integrar o bloco formado por Arthur Lira, do PP, que recebe o apoio do Governo Bolsonaro.