Projeção 2021: que a direita reduza o desespero e priorize a busca por soluções

16:35:00 0 ''


Por Wilson Oliveira

A reta final de 2020 reservou para a direita, além das discussões medicinais que se tornaram rotineiras por conta da pandemia da covid-19, um cada vez mais intenso choque de razões sobre a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados. 

Após uma carta assinada por deputados bolsonaristas pedindo um compromisso com as reformas, as críticas se avolumaram, tanto para a possibilidade de apoio a Arthur Lira (PP), como a de apoio a Baleia Rossi (MDB). Dois dias depois, os parlamentares mais fiéis ao governo, como Luiz Philippe de Orleans e Bragança, foram se posicionamento favoráveis a Lira e imediatamente receberam uma chuva de crítica dos direitistas mais sonhadores e puristas.

A lógica de funcionamento das redes sociais permite que a direita seja barulhenta na internet, mas ao mesmo tempo inofensiva fora delas. As propostas do Twitter, do Facebook, do Instagram e do YouTube são puramente comerciais, não servindo para aquilo que mais precisamos atualmente, que é a estruturação de uma base para atuar em todas as frentes existentes - inclusive no Congresso Nacional.

Isso não é uma crítica a essas redes sociais, pois elas não foram criadas pra servir de plataforma organizacional de movimento político-ideológico. Elas foram criadas exclusivamente pra entretenimento. E não é atuando exclusivamente em meios de entretenimento que a direita vai se organizar.

Os direitistas estão, única e exclusivamente, fazendo posts de indignação, compartilhando, dando like, fazendo campanha de deslike e apenas isso. No máximo, o que fazem de diferente são os famosos abaixo-assinados virtuais. Ocorre que a rede social é viciante e também limitadora. É muito difícil uma pessoa que está dentro desse contexto perceber tal situação. Não vemos praticamente nenhum direitista se preocupando em sair desse ciclo vicioso. Eu mesmo precisei me afastar das redes e sair de quase todos os grupos de Whatsapp pra fazer uma avaliação e chegar a essa conclusão acima relatada.

Os deputados de direita também estão inseridos nesse contexto de atuação restrita somente às plataformas de entretenimento achando que estão travando uma guerra política. É claro que o fato deles estarem suspensos das suas atividades dentro do PSL pesam bastante desfavoravelmente. Converso com assessores de vários deles praticamente todos os dias e sei que eles são idealizadores, mas pecam por algo que não tinham como fugir: a inexperiência política. Se não fossem deputados federais, seriam mais uma dúzia de internautas fazendo o que relatei mensagens acima.

Enquanto isso, a esquerda já vem de uma organização - com partidos, movimentos, infiltrações, lideranças estabelecidas em cada classe profissional, em cada esfera de poder, em cada estado etc - há muitas décadas. Tiveram a "sorte" de se movimentarem e se organizarem muito antes dessa força sugadora que é a rede social.

Se o presidente Bolsonaro fosse um presidente de esquerda, e Kassio Nunes Marques fizesse votações no STF que contrariassem os esquerdistas, os movimentos sociais e os partidos de esquerda já teriam marcado uma audiência a portas fechadas com Bolsonaro pra fazer cobranças sérias e pesadas. Sem selfie, sem bajulação, sem busca por like ou por seguidor no Youtube. E o Bolsonaro se veria obrigado a se explicar...

Acredito que a direita vai levar uns 10 anos pra começar a agir, de verdade, fora das redes sociais de entretenimento. Será preciso chegar o momento pós-desespero virtual. Aquele momento em que muitas pessoas, ao mesmo tempo, param e pensam: "não adianta eu ficar só me desesperando, deixa eu ver o que eu posso fazer".

No entanto, isso não impede que os direitistas ao menos abram os olhos desde já e comecem a perceber que não adianta ficar apenas na rede social reclamando da vida e compartilhando/curtindo publicações desesperadoras. É possível começar a dar mais atenção para quem busca soluções, como o Brasil Paralelo, o Movimento Conservador e o Advogados Contra Censura. 

O ano de 2021 será de fundamental importância não apenas por ser a última chance de recuperação econômica do Brasil no primeiro mandato de Bolsonaro, mas também por ser o ano que precede a próxima eleição. Se os direitistas continuarem achando que sua atuação se deve apenas ao compartilhamento de desespero e reclamação nas redes sociais, podemos chegar na eleição de 2024 e 2026 no mesmo estágio que nos encontramos atualmente: inoperantes para eleições mais específicas, como foi nas disputas municipais deste ano e como está sendo para o pleito da Câmara que acontece em fevereiro.