''Vergonha profunda'', diz dirigente do DEM sobre ''papelão'' de Rodrigo Maia

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Por Wilson Oliveira e Raul Prudens

Um dirigente do DEM que pediu para não se identificar, permitindo apenas que revelássemos que ele pertence a um diretório do partido no nordeste, disse que sente "vergonha profunda" do deputado federal Rodrigo Maia. Esse dirigente chamou de "papelão" a articulação do presidente da Câmara dos Deputados para derrotar o governo na eleição da Casa. 

O dirigente partidário incluiu na sua mira de críticas o ex-prefeito do Rio de Janeiro e pai de Rodrigo, César Maia, que preside o diretório carioca do partido e afirmou que o DEM é oposição a Jair Bolsonaro.

"O senhor Rodrigo Maia está fazendo um papelão para o Brasil. É uma vergonha profunda para o partido isso que ele está fazendo. E o pai dele, o senhor César Maia, dizer que o DEM é oposição? Ora, ele deveria passar um óleo de peroba naquela cara. Temos dois ministros dentro do governo, temos vice-líder do governo na Câmara e no Senado. Onde que isso é ser oposição, meu Deus?".

O dirigente partidário garantiu que 80% da bancada do DEM na Câmara dos Deputados irá votar em Arthur Lira, do PP, na eleição para presidência da Casa contra Baleia Rossi, do MDB, candidato lançado por Rodrigo Maia para marcar oposição ao governo.

"Posso te garantir que 80% da nossa bancada votará em Arthur Lira. Pegue as votações dos deputados federais do DEM ao longo desses dois anos e você verá que 80% votou junto com o governo o tempo todo. Esses 80% são apoiadores de Bolsonaro. Maia sabe que não tem como modificar isso no partido, por isso foi correndo pedir ajuda pra Doria".

O dirigente do DEM no nordeste citou os dois ministros do partido no governo, o atual presidente do Senado e o candidato do partido naquela Casa, que receberam uma sinalização de apoio de Jair Bolsonaro. Outro citado foi Elmar Nascimento, deputado do DEM da Bahia que está na articulação para obtenção de votos para Arthur Lira junto aos parlamentares do nordeste. 

"Quem quer ver o Brasil melhorando, dando certo, ajuda o presidente Bolsonaro a acertar, vide ministros Onyx Lorenzoni e Tereza Cristina, vide Elmar Nascimento, vide Rodrigo Pacheco, Davi Alcolumbre".

Dessa vez sem citar nomes, o cacique partidário afirmou que aqueles que estão contra o presidente Bolsonaro estão irritados por terem perdido uma "boquinha" ou por não terem conseguido emplacar aliados em cargos do governo. 

Luiz Henrique Mandetta, por exemplo, era ministro da Saúde do governo e é filiado ao DEM, mas deixou o cargo no poder executivo por não concordar com a defesa que o presidente fazia da hidroxicloroquina e do isolamento vertical.  

"Aqueles que perderam a boquinha ou que não conseguiram a boquinha que queriam para os seus afilhados ficam enchendo o saco junto com a esquerda. Esses vão para o limbo da história. Só que nós não vamos permitir que eles levem o DEM junto".

Por fim, o dirigente do DEM afirmou que o partido é o único de direita no Brasil e que foi o único a não participar dos esquemas de corrupção dos governos do PT. 

"Temos uma história a zelar. Ainda somos o único partido de direita do Brasil, o único partido que em momento algum apoiou algo do governo do PT, o único partido que ficou fora do Mensalão e do Petrolão e que o tempo todo defendeu o impeachment de Lula e de Dilma. É disso que nos orgulhamos. Quem não concorda, a porta é a serventia da casa".