Bolsonaristas planejam ''invadir'' DEM após saída de Rodrigo Maia


Por Wilson Oliveira e Isadora Salutem

A ministra Tereza Cristina está perto de se transformar na principal conexão para um troca-troca de dezenas de políticos envolvendo três partidos. Embora já esteja praticamente certo que Jair Bolsonaro vá se filiar ao Patriota em março, articuladores políticos que estão mapeando cenários para a próxima eleição a pedido do presidente da república chegaram a conclusão que é melhor ter bolsonaristas espalhados por mais de uma legenda. 

Além do Patriota ser um destino óbvio para políticos bolsonaristas, o DEM é outro que está no topo dessa lista (existe a possibilidade do partido receber a filiação do senador Flavio Bolsonaro, enquanto seus irmãos Eduardo e Carlos devem seguir o pai para o Patriota). A lista de partidos também inclui o PTB, que já conta com os deputados estaduais de São Paulo Gil Diniz e Douglas Garcia, e o PSC, que por exemplo tem o governador em exercício do Rio de Janeiro, Claudio Castro, que está cada vez mais próximo de Bolsonaro e pode ser o nome do presidente para a disputa ao governo do Rio em 2022, além de vários bolsonaristas ainda desconhecidos do grande público.

Outros partidos do centrão, como PP, PR e PL, são tratadas como siglas 'apenas apoiadoras'. Não há previsão de políticos bolsonaristas se filiarem a essas legendas, mas existe um trabalho encabeçado por Arthur Lira para que esses partidos se comprometam a apoiar Jair Bolsonaro para presidente em 2022, podendo receber apoio presidencial, com participação em palanques, principalmente em segundos turnos de disputas para governos estaduais. 

Essa equação começou a ser desenhada quando o nome da ministra Tereza Cristina surgiu como o preferido de Jair Bolsonaro para uma provável disputa contra Luiz Henrique Mandetta pelo governo do Mato Grosso do Sul. A ministra deve se lançar pelo seu próprio partido, o DEM, enquanto Mandetta pode se lançar pelo PSL, justamente o ex-partido do presidente Bolsonaro. 

MAIA PODE SE FILIAR AO PSL E LEVAR VÁRIOS POLÍTICOS JUNTO

O ex-ministro da Saúde se prepara para acompanhar Rodrigo Maia na saída do DEM. O ex-presidente da Câmara recebeu convites do PSDB e do Cidadania para uma filiação, mas é com o PSL que as conversas já estão mais avançadas. O Congressista apurou, inclusive, que Luciano Bivar, presidente nacional do partido, tem planos de entregar o diretório do RJ para Maia, além de integrá-lo nas articulações para candidaturas em 2022. 

Júnior Bozzella, presidente do diretório de São Paulo do PSL, que foi deslocado para manter as conversas sobre filiações com Rodrigo Maia, já afirmou ao ex-presidente da Câmara que ele pode se mudar para a legenda sem se preocupar com a grande quantidade de bolsonaristas que ainda integram o partido. Segundo Bozzella, eles serão expulsos. 

No entanto, ainda de acordo com as apurações de O Congressista, após a eleição para presidente da Câmara, Luciano Bivar entrou em acordo com o deputado federal Major Vitor Hugo se comprometendo a permitir que todos os parlamentares bolsonaristas saiam do partido sem maiores problemas - de forma inédita, surgiu a possibilidade desses parlamentares poderem se desfiliar antes da janela partidária. Caso Bivar não se mostrasse disposto a autorizar essas saídas, poderia entrar na justiça para tirar o mandato desses deputados.

Onde a situação pode se complicar é no DEM. Rodrigo Maia tem planos de levar consigo cerca de 40 políticos. Além de Mandetta, Maia também quer levar para o PSL Rodrigo Garcia, vice-governador de São Paulo, Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, seu pai, o vereador César Maia, que atualmente é o presidente do DEM-RJ, além de cerca de 10 deputados federais e uma leva de prefeitos e políticos que comandam secretarias espalhadas pelo Brasil, seja na esfera estadual ou municipal. 

A notícia dessa provável debandada, que tiraria bastante capilaridade política do DEM, não foi bem recebida por ACM Neto, presidente nacional do partido. Neto já disse para outros caciques que não vai criar dificuldades para a saída de Maia, mas desde que seja apenas ele. Caso outros políticos do partido sinalizem o desejo de promover uma debandada, ACM Neto promete judicializar a questão pra manter os quadros filiados à legenda, podendo até mesmo começar uma briga para tirar o mandato de deputado federal de Rodrigo Maia.

A cúpula do PSL, por enquanto, acompanha a situação à distância, sem se preocupar. E o Palácio do Planalto torce, de forma discreta, para que todos aqueles que não apoiam Bolsonaro realmente deixem o DEM para que o partido fique "livre" para ser invadido por bolsonaristas e se apresentar, definitivamente, como um partido de direita em 2022.

Demistas como Ronaldo Caiado, governador de Goiás, Onyx Lorenzoni, ministro do governo federal, Elmar Nascimento, deputado federal da Bahia, além de outros, estão vendo com bons olhos essa movimentação. Eles acreditam que Maia e seus aliados são pesos-mortos, enquanto os bolsonaristas são realmente os que têm eleitores. Esses nomes pretendem convencer ACM Neto a deixar os aliados de Maia saírem do partido sem nenhuma barreira.

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Quatro conservadores aceitaram o convite de
O Congressista e se disponibilizaram a realizar debates por escrito de todos os temas que forem propostos. No entanto, eles pediram para utilizar nomes fictícios para não serem reconhecidos e não sofrerem represálias em seus locais de trabalho, pois os quatro trabalham em ambientes dominados pela esquerda. 

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