Criar partido conservador requer sacrifícios, como abrir mão de eleição


Por Wilson Oliveira

Para 2022, Jair Bolsonaro deve se filiar a um desses partidos: Progressistas, PTB ou Patriota (este, por enquanto, com mais chances). Motivo: o Aliança pelo Brasil não vai ficar pronto em tempo hábil para a próxima eleição - mesmo que consiga todas as 492 mil assinaturas necessárias, ainda tem toda a burocracia do TSE. 

No caso do presidente da república, ainda em primeiro mandato, e que tem todo o direito de buscar a reeleição, acho bastante compreensível esse movimento. No caso dos deputados federais e estaduais conservadores que já exercem mandato e, assim como Bolsonaro, têm todo o direito de buscar a reeleição, também acho aceitável. 

Mas a pergunta que eu acho que a direita precisa se fazer é: conservadores que ainda não exercem nenhum mandato, devem se espalhar em legendas do centrão pra tentar se elegerem em 2022 repetindo o mesmo erro cometido nas eleições municipais de 2020 ou deveriam concentrar seus esforços e suas energias na formação de um ou mais partidos conservadores? 

Sempre que os conservadores tentarem criar um partido conservador faltará tempo hábil para a eleição seguinte, pois o processo de formação de partido no Brasil é burocrático, enrolado, complexo e sempre levará mais do que dois anos, que é o intervalo que temos entre um ano eleitoral e outro.

Exatamente por isso, a minha resposta para a pergunta sugerida é que os conservadores que ainda não exercem mandato precisam deixar de lado a ânsia de serem eleitos e se concentrarem na criação de partidos políticos. Essa atitude vai diferenciar quem pensa no conservadorismo brasileiro, no trabalho de base, e quem pensa apenas em si.

Eu mesmo estou revendo alguns conceitos. Até meados de 2020, principalmente antes das últimas eleições municipais, dizia e repetia sem parar que nós conservadores precisamos dominar todos os espaços políticos o quanto antes. Eu acreditava que seria impossível, por exemplo, um presidente como Jair Bolsonaro tocar um governo mediante um Congresso onde praticamente só há esquerda e centrão.

Acontece que estamos vendo que sim, é possível Bolsonaro tocar o governo com uma base formada 95% por parlamentares do centrão. Está longe de ser o cenário que desejamos, mas é o preço que precisamos pagar pelo fato da direita jamais, desde o fim da UDN, ter se preocupado em voltar a ter partidos grandes, fortes e representativos.

Agora temos a chance de reparar esse erro histórico. O apoio popular que a direita goza, atualmente, talvez possa ser comparado com o apoio que a própria UDN gozava nos tempos áureos de Carlos Lacerda (foto) e sua oposição ferrenha (e correta) a Getúlio Vargas. O que falta mesmo é colocarem a mão na massa, com as atenções voltadas para o fortalecimento do conservadorismo.