Fonte do PSDB afirma que João Doria ''está muito desesperado''


Por Wilson Oliveira e Lucas Fraternais

Com Rodrigo Maia cada vez mais distante dos holofotes políticos, outro oposicionista do presidente Bolsonaro começa a viver um verdadeiro inferno astral. Trata-se do governador de São Paulo, João Doria. Uma fonte do PSDB ouvida por O Congressista relatou que Doria "está muito desesperado".

"Doria não digeriu nada bem a derrota do Baleia Rossi na Câmara. Qualquer um que vive próximo ao governador percebe que ele está muito desesperado, ainda mais com o movimento do DEM de neutralidade, abrindo esse flanco pra se aliar ao Bolsonaro", disse a fonte tucana.

Com um prévio afastamento do DEM da coalizão denominada "centro democrático" que tenta liderar, Doria resolveu antecipar seu lançamento como pré-candidato à presidência pelo PSDB. Para isso, manifestou desejo de assumir a presidência do partido o quanto antes. 

Só que essa tentativa de João Doria de dominação do ninho tucano não foi bem recebida por várias alas do partido, incluindo o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, inúmeros prefeitos, inclusive do estado de São Paulo, bem como os deputados federais e os senadores do partido.

"Doria achou que tinha o apoio de cerca de 80% do partido e que a colocação do seu nome para o comando da sigla seria recebida com tranquilidade dentro do PSDB. Mas o que aconteceu foi justamente o oposto. Agora está havendo um movimento pra prorrogação do Bruno", disse a fonte tucana, se referindo às articulações para que Bruno Araújo permaneça no comando da legenda.

Para piorar ainda mais a situação de Doria, após deputados federais e presidentes dos diretórios estaduais manifestarem o desejo de que Bruno Araújo fique à frente do PSDB mais tempo que o previsto, foi a vez da bancada tucana no Senado, por unanimidade, decidir apoiar a continuação de Bruno na presidência do partido, aumentando a quantidade de contrários ao desejo do governador de São Paulo.  


No início da tarde desta sexta-feira, em uma reunião virtual, a executiva nacional do PSDB decidiu estender o mandato de Bruno Araújo na presidência do partido por mais um ano, frustrando os planos de Doria.

E quem acha que as dificuldades de João Doria se resumem ao comando do PSDB está muito enganado. Como se não bastasse a reunião de quase todos os caciques e nomes de peso tucanos para Bruno Araújo continuar na presidência do partido, uma comitiva de deputados da legenda (23 do total de 33) almoçou com Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. Nesse almoço, foi entregue uma carta a Leite pedindo que ele seja o candidato da sigla à presidência da república em 2022.

De acordo com informações passadas por essa fonte tucana para O Congressista, o deputado federal Aécio Neves está por trás dessa articulação, que envolve quase todos os presidentes dos diretórios estaduais do PSDB. Coube ao deputado Paulo Abi, aliado de Aécio e presidente do diretório de Minas Gerais, a liderança dessa reunião a favor de Eduardo Leite. 

Em entrevistas nos últimos dias, o governador do Rio Grande do Sul tem evitado abrir uma discussão pública com João Doria, mas por outro lado tem se mostrado aberto a aceitar o desafio de ser o nome do PSDB para enfrentar o presidente Jair Bolsonaro em 2022, para a tristeza de Doria, que além de não ter apoio do DEM pode acabar sem apoio do próprio partido - e sem a tão sonhada candidatura ao Planalto.

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Quatro conservadores aceitaram o convite de O Congressista e se disponibilizaram a realizar debates por escrito de todos os temas que forem propostos. No entanto, eles pediram para utilizar nomes fictícios para não serem reconhecidos e não sofrerem represálias em seus locais de trabalho, pois os quatro trabalham em ambientes dominados pela esquerda. 

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