Resenha #05: ''No Brasil, só há liberdade para ser hipócrita''

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O vídeo do deputado Daniel Silveira, com palavras bastante fortes contra os ministros do STF, e a consequente prisão do parlamentar bolsonarista, levantou uma questão:
por que a liberdade de expressão tornou-se um problema no Brasil? Confira o posicionamento de cada um dos participantes do Resenha Política. 

  • Antônio Fidelium

O grande problema é que no Brasil só há liberdade para ser hipócrita. A esquerda aplaude o autoritarismo se for usado contra a direita. E a direita aplaude o autoritarismo se for usado contra a esquerda. Os dois lados só reclamam do autoritarismo quando seu próprio lado é atingido. E o pessoal do centro aplaude tudo porque ainda não foi cerceado. Desse jeito não adianta, pode trocar os ministros do STF cem mil vezes que vamos continuar com os mesmos problemas. Apontar os erros do lado oposto é muito fácil, até um ditador é capaz de fazer isso. O difícil é reconhecer quando o erro parte do seu próprio lado político. No dia que esquerda, centro e direita falarem "não vou mais tolerar abusos nem com os meus aliados e nem com os meus maiores adversários", aí pode ser que a coisa comece a melhorar.

  • Raul Prudens

O Brasil não está acostumado com a existência de dois lados opostos na política. Quando tínhamos PT vs. PSDB, havia um falso antagonismo, pois os petistas gritavam e os tucanos ficavam morrendo de medo. Agora existe uma direita que não tem medo dos berros esquerdistas, o que deixa todo mundo que é isentão, como os próprios tucanos, escandalizados, com a esquerda tentando tirar proveito, se fazendo de vítima e xingando o outro lado que agora discorda com firmeza. Se as palavras do deputado Daniel Silveira saíssem da boca de um parlamentar esquerdista e fossem direcionadas ao presidente Jair Bolsonaro, não haveria "prisão em flagrante". A direita, que entrou na política brasileira há pouco tempo, ainda comete erros, porém são erros que julgo como normais, pois são erros de principiante.

  • Isadora Salutem

O brasileiro não gosta de ser profundamente contrariado, principalmente nos assuntos que invadem terreno político. Dizer "eu discordo totalmente de você" é praticamente uma afronta, parece que você está chamando o sujeito pra briga. Conheço muitas pessoas que têm medo de debater política com os colegas de trabalho porque tem uma opinião que é diferente da opinião compartilhada por todos os demais. E isso é um negócio muito sério, pois afeta as relações profissionais, pode causar demissão, afeta até mesmo relação entre familiares. E acredito que em outros ambientes, como no universitário, é ainda pior, principalmente quando há casos de turmas com praticamente todos os alunos pensando de uma forma, e um ou dois pensando diferente, podendo sofrer uma repressão violenta ou uma humilhação psicológica. Essas pessoas convivem sem nenhuma liberdade de expressão.

  • Lucas Fraternais

A liberdade de expressão no Brasil só é um problema para quem é de direita. Nós nunca vimos um esquerdista ser punido por fazer manifestação de ódio contra a direita, apesar deles fazerem isso o tempo todo. Antes da direita, faziam com políticos do PSDB. E isso partia até mesmo de revistas, blogs, propaganda partidária e também políticos com mandato. Esse domínio esquerdista, que até pouco tempo era absoluto nos principais territórios onde deveria haver debate político, como imprensa, universidade e a própria política, pois antes o centro tinha medo de discordar da esquerda, acabou gerando uma direita que é bastante revoltada, seja com a hipocrisia, seja com a censura que lhe é imposta. Acontece que a consequência disso, direitistas agindo muitas vezes sem pensar porque guardaram dentro de si esse sentimento de proibição às opiniões de direita, acaba se voltando contra a própria direita. Quando um esquerdista extrapola e fala coisas que não devia, ninguém levanta discussão sobre os limites da liberdade de expressão, esse debate só acontece quando o autor das palavras fortes é alguém da direita, principalmente se for um bolsonarista.

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Quatro conservadores aceitaram o convite de
O Congressista e se disponibilizaram a realizar debates por escrito de todos os temas que forem propostos. No entanto, eles pediram para utilizar nomes fictícios para não serem reconhecidos e não sofrerem represálias em seus locais de trabalho, pois os quatro trabalham em ambientes dominados pela esquerda. 

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