Bolsonaro quer a queda dos comandantes das Forças Armadas

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Por Wilson Oliveira, Lucas Fraternais e Isadora Salutem

De acordo com informações publicadas pela Gazeta do Povo e confirmada por O Congressista com fontes próximas ao Planalto, há meses Bolsonaro vem bastante irritado com o alto comando das Forças, principalmente com o general Edson Leal Pujol, comandante do Exército.

Com as Forças Armadas tendo um índice de letalidade por Covid-19 na casa dos 0,13%, bem abaixo dos 2,5% da população brasileira, Bolsonaro pediu que os militares colaborassem com o governo federal na defesa do tratamento precoce a base de cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina. 

No entanto, o alto comando das forças rejeitou a ideia e preferiu apoiar o lockdown e todas as demais medidas defendidas pelos maiores veículos da mídia, maioria dos governadores e boa parte dos prefeitos.

Jair Bolsonaro, portanto, ordenou ao então ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, que intercedesse junto ao alto comando das Forças. As informações passadas por essas fontes é que Fernando recebeu as ordens presidenciais, mas ao sair da reunião simplesmente "lavou as mãos" por não querer se indispor principalmente com Pujol, que aquela altura já estava bastante crítico a Bolsonaro pela maneira que o presidente conduz a pandemia no Brasil.

Como se não bastasse ignorar os desejos do presidente da república, as Forças Armadas foram além. O Centro de Estudos Estratégicos do Exército (Ceeex), um órgão estratégico do Estado-Maior do Exército, preparou um estudo defendendo o isolamento social, com a adoção do lockdown caso as UTI's do país ficassem perto de entrar em colapso. A atitude deixou Bolsonaro profundamente irritado. 

O presidente recorreu novamente ao ministro Fernando Azevedo e Silva, dessa vez fazendo um pedido ainda mais pesado: a queda de Edson Leal Pujol. Mas novamente Bolsonaro não fora atendido. O agora ex-ministro da Defesa se reuniu com os três comandantes das Forças e ali ficou definido que uma nota conjunta seria publicada para "apaziguar os ânimos".

A essa altura, a insatisfação de Jair Bolsonaro com Azevedo e Silva já aumentava em uma escalada incontornável. Outros ministros do governo já davam início a uma contagem regressiva pela queda do colega. Ao que tudo indica, o único que não contava com essa demissão era o próprio Fernando Azevedo e Silva, que foi para a reunião desta segunda com Bolsonaro sem saber qual seria o teor da conversa, que foi bastante rápida, com Fernando praticamente não falando nada, apenas ouvindo que estava fora do governo. 

Já chegou ao Planalto a notícia de que os comandantes do Exército, general Edson Leal Pujol, da Marinha, almirante Ilques Barbosa Júnior, e da Aeronáutica, brigadeiro Antonio Carlos Bermudez, avaliam uma entrega conjunta dos seus cargos. Por outro lado, já ciente dessa possibilidade, Bolsonaro torce para que ela de fato ocorra. Seu desejo é que as Forças tenham comandantes alinhados ao governo para que ações conjuntas possam ser colocadas em prática.