Militares e centrão aconselham Bolsonaro a se vacinar em público

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Por Isadora Salutem
 
Integrantes da ala militar do governo e deputados do centrão que pertencem à base na Câmara acreditam que as palavras utilizadas pelo presidente Jair Bolsonaro nos últimos dias foram "péssimas". 

Bolsonaro chamou de "idiotas" aqueles que estão ansiosos por uma vacinação em massa contra a covid-19 e disse que é para "comprar na casa da tua mãe" ao se referir àqueles que lhe perguntam nas redes sociais sobre a aquisição dos imunizantes.

Em outra fala em público, também nos últimos dias, o presidente chamou a pandemia de "mimimi" e "frescura" e perguntou até quando as pessoas "vão ficar chorando". 

Cientes de que essas falas arranharam ainda mais a imagem do Brasil internacionalmente, além do potencial de causar um sentimento de abandono em boa parte da população brasileira, a ala militar do governo e o centrão querem que Jair Bolsonaro vacine-se em público, como forma de virar essa chave. 

A informação, divulgada primeiramente pela "CNN Brasil" e confirmada por "O Congressista", faz parte de um entendimento dessas correntes de apoio ao governo que o presidente precisa ter uma atitude firme a favor das vacinas para mostrar que está empenhado em frear o aumento de casos graves e mortes que vem acontecendo no país em decorrência da doença. 

No entanto, Jair Bolsonaro ainda não se mostrou disposto a colaborar com essa estratégia. O presidente tem dito a seus auxiliares que só vai pensar melhor nessa ideia quando a sua faixa etária (o presidente tem 65 anos) estiver na vez de se vacinar. Bolsonaro já rejeitou a ideia de "furar a fila" dos brasileiros. 

Um motivo forte para essas alas trabalharem essa ideia é que o governo federal recebeu um levantamento que mostra que a vacina se tornou a maior preocupação do brasileiro, superando, pela primeira vez desde o início da pandemia, a questão do desemprego. Esses dados mostram que, inclusive, os próprios eleitores conservadores passaram a apontar a imunização como medida de maior emergência. 

Os militares e os partidos que estão inclinados a apoiar Jair Bolsonaro em 2022 querem evitar o fortalecimento da narrativa de que o presidente teria abandonado o povo brasileiro enquanto o restante do mundo se vacinava. O Brasil vem enfrentando uma desaceleração na vacinação por falta de imunizantes. 

O cálculo feito por esses apoiadores políticos e que trabalham no próprio governo é que deve-se evitar a todo custo que no período da próxima eleição presidencial, no ano que vem, ainda falte uma grande porcentagem de cidadãos para se vacinar. Existe um medo muito grande que a nova variante da covid-19, muito mais transmissível e agressiva, devaste uma reeleição considerada ganha até poucos dias atrás. 

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Quatro conservadores aceitaram o convite de
O Congressista e se disponibilizaram a realizar debates por escrito de todos os temas que forem propostos. No entanto, eles pediram para utilizar nomes fictícios para não serem reconhecidos e não sofrerem represálias em seus locais de trabalho, pois os quatro trabalham em ambientes dominados pela esquerda. 

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