Quando o brasileiro vai defender o certo sem hipocrisia?

 
Por Antônio Fidelium

No Resenha Política #5 afirmei: "A esquerda aplaude o autoritarismo se for usado contra a direita. E a direita aplaude o autoritarismo se for usado contra a esquerda. Os dois lados só reclamam do autoritarismo quando seu próprio lado é atingido. E o pessoal do centro aplaude tudo porque ainda não foi cerceado. Desse jeito não adianta, pode trocar os ministros do STF cem mil vezes que vamos continuar com os mesmos problemas".

Dito e feito. Bastou o ministro Edson Fachin tomar uma atitude que desfez o trabalho do maior ídolo dos eleitores de centro, o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro, para os centristas se indignarem contra o STF, coisa que praticamente só acontecia quando eles queriam reclamar do ministro Kassio Nunes, indicado pelo presidente Bolsonaro para o Supremo. E nem adianta explicar para esses eleitores que o Fachin fez isso pra tentar salvar o próprio Moro, pois essas pessoas estão sem condições de raciocinar.

Voltando ao que escrevi para o Resenha Política #5: "Apontar os erros do lado oposto é muito fácil, até um ditador é capaz de fazer isso. O difícil é reconhecer quando o erro parte do seu próprio lado político. No dia que esquerda, centro e direita falarem "não vou mais tolerar abusos nem com os meus aliados e nem com os meus maiores adversários", aí pode ser que a coisa comece a melhorar". Eu vi muitos desses ditos 'lavajatistas' aplaudirem prisões ilegais de bolsonaristas decretadas por esse mesmo STF, mas agora eles querem reclamar do Supremo.

Eu continuo querendo saber quando que o brasileiro vai passar a defender o certo sem hipocrisia. Geralmente, o brasileiro quer que as coisas sejam corretas apenas se isso beneficiar o seu lado. Infelizmente, a maioria dos brasileiros aplaude uma punição ilegal se essa punição for contra um adversário, mas acham um absurdo uma punição ilegal apenas se ela for contra um aliado. Eu vou insistir nessa tecla enquanto for necessário.

Ser coerente na defesa do que é correto não é uma tarefa fácil. Para o brasileiro, então, acostumado com jeitinho e com a busca da vantagem a qualquer custo, torna-se ainda mais difícil. Buscar o certo sem hipocrisia requer se virar contra uma punição ilegal daquele que você odeia, assim como aceitar que um aliado tenha feito algo de errado.

Ser coerente na busca do correto é um direitista exigindo que Lula seja julgado dentro da lei, sem atalhos ilegais; é um esquerdista e um lavajatista criticando o STF por decretar prisões ilegais de bolsonaristas; é um lavajatista reconhecendo que a Lava Jato cometeu abusos e usou práticas erradas; é um direitista defendendo os direitos dos esquerdistas e vice-versa.

No momento atual, vejo pouquíssimos brasileiros tendo essa capacidade gigantesca para ser coerente na busca do que é correto. Mas eu reconheço que não é fácil atingir esse estado de espírito, ainda mais para uma pessoa que nasceu no Brasil, onde agir dessa forma é vista como "coisa de otário".
 
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Quatro conservadores aceitaram o convite de O Congressista e se disponibilizaram a realizar debates por escrito de todos os temas que forem propostos. No entanto, eles pediram para utilizar nomes fictícios para não serem reconhecidos e não sofrerem represálias em seus locais de trabalho, pois os quatro trabalham em ambientes dominados pela esquerda. 
 
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