Acreditamos que a CPI da Covid terminará em pizza

19:12:00 0 ''

 

 Por equipe O Congressista

O Congressista reuniu seu editor-chefe, Wilson Oliveira, e o time de colunistas do site (Antônio Fidelium, Isadora Salutem, Lucas Fraternais e Raul Prudens) para avaliar a CPI da Covid e projetar qual deve ser o seu desfecho de acordo com os acontecimentos políticos detectados ao seu redor. De acordo com essa avaliação, o mais provável é que a CPI termine em pizza. Confira o posicionamento completo sobre o que podemos esperar.

--

Não acreditamos que a CPI da Covid possa trazer maiores prejuízos ao governo federal. Um presidente só é derrubado quando o povo, junto com a ampla maioria da elite da classe produtora, manifesta claramente esse desejo. Também não enxergamos a possibilidade dessa CPI ter condições de criar no país esse clima contra o presidente Jair Bolsonaro pelo fato da sua composição já começar viciada, com Renan Calheiros na relatoria - logo ele, que além de ser pai de um dos governadores ainda é todo enrolado com a justiça.

Também acreditamos que nem o establishment em momento algum conte com a possibilidade de Jair Bolsonaro ser derrubado. O sistema sabe que não há como almejar esse remédio extremo sem o apoio maciço do povo para tal. Por outro lado, é esperado que haja um aumento de agressividade nos ataques contra o presidente, não pelo fato dele não ter sido derrubado, mas sim porque estamos chegando perto do momento em que ele fará uma segunda indicação ao STF. Por mais que o nome não seja, novamente, do total agrado dos apoiadores de Bolsonaro, com certeza, para o establishment, será mais um revés duro de suportar.

A mídia anti-Bolsonaro e a esquerda, especificamente, também não precisam da queda de Jair Bolsonaro para se sentirem vitoriosas nessa CPI, tampouco precisam que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazzuello ou quem quer que seja sofra alguma punição. Para esses dois setores, basta a produção de material que possa ser usado nas eleições de 2022 para o(s) candidato(s) de oposição. No final das contas, tudo que está sendo feito contra o presidente e o governo federal se resume a criação de narrativas, pois nada, além disso, pode ser feito sem que o povo lote as capitais com manifestações em quantidade fabulosa. Todo mundo sabe que é mais fácil o povo ir às ruas apoiar o presidente do que o oposto.

Analisando de forma ainda mais profunda, nos permitirmos nos arriscar a dizer que mesmo que essa CPI descubra algo contra Jair Bolsonaro ou contra o governo federal que seja explosivo, optarão por não utilizar. Tanto o presidente dessa CPI, senador Omar Aziz, como o relator Renan Calheiros e vários outros que "jogam no mesmo time" que eles, têm “telhado de vidro”. Disparar contra o governo federal pode significar receber disparos de volta. O establishment político não quer correr nenhum risco, não é vantajoso pra eles esse tipo de ousadia.  

Vamos supor que o establishment derrubasse o presidente Jair Bolsonaro passando por cima da vontade da população. Naturalmente surgiria um nome para a eleição presidencial que contaria com o apoio do próprio Bolsonaro. Mesmo que fosse totalmente desconhecido do povo, esse nome teria grandes chances de vencer a eleição, talvez até com uma votação maior que a do atual presidente da república, pois além de receber o voto de todos os bolsonaristas, esse nome ainda poderia conseguir votos de liberais, isentões etc. caso tivesse alguma habilidade política para isso.

Por exemplo, imaginemos que no dia seguinte à queda de Jair Bolsonaro, o partido que Bolsonaro tenha se filiado resolva lançar o ministro Tarcísio Gomes de Freitas para a presidência. Alguma dúvida que ele seria eleito com facilidade? Tarcisio incorporaria esse perfil com capacidade de agregar apoio de bolsonaristas, de militares, de empresários, de liberais e até de muitos isentões. Portanto, o establishment não vai derrubar o presidente Bolsonaro por saber que isso, muito provavelmente, vai resultar num cenário eleitoral ainda mais complicado. A tentativa do establishment será de enfraquecer o presidente ao máximo possível objetivando que ele chegue cambaleando à disputa do ano que vem.  

No entanto, o real problema que essa CPI pode trazer (e já está trazendo) é ativar o modo desespero na grandiosa parcela da direita que é emocionalmente instável. Se a gente observar com atenção, o tempo todo, desde o primeiro dia de mandato presidencial de Jair Bolsonaro, o establishment vem tentando (e infelizmente conseguindo) desestabilizar os eleitores de direita. Essa guerra é, acima de tudo, psicológica. O establishment sabe que quanto mais os direitistas estiverem irritados, desesperados, com os nervos à flor da pele, menos esses direitistas conseguirão pensar, se organizar, se planejar. Lembremos que ano que vem não teremos apenas eleição para presidente, mas também para governador, para senador, para deputado federal e para deputado estadual. O establishment não quer que a direita se organize para obter sucesso em todas essas disputas.

Agora jogando luz para o pós-CPI, o nível de força de Jair Bolsonaro vai depender do que a própria CPI irá produzir. Se partirem para a produção de extravagâncias absurdas, vão acabar fortalecendo ainda mais a imagem do presidente. E acreditamos que isso de fato pode acontecer, uma vez que os políticos brasileiros costumam viver em uma realidade completamente diferente daquela vivida pelo povo. Por outro lado, suspeitamos que não existe criatividade suficiente para apresentarem algo que ainda não tenha sido apresentado por parte da grande mídia, como chamar o presidente de negacionista, criticá-lo por não usar máscara, repudiá-lo por palavras e frases que ele usou ao longo da pandemia e coisas do gênero. O mais provável, sob nossa perspectiva, é que a CPI ataque pessoas que estão ou estiveram próximas de Bolsonaro, como o própio Pazzuello. Acreditamos que outros nomes como o ex-ministro Nelson Teich e demais integrantes do governo no máximo serão convocados pra depor, e sofram ataques verbais durante esses depoimentos, nada além disso.

A respeito de como ficará a relação do presidente Jair Bolsonaro com o Senado após a CPI, algo que já podemos observar é uma fissura entre governistas e Renan Calheiros. Até mesmo o senador Flávio Bolsonaro, que só aparecia para se defender das acusações de rachadinha, ressurgiu das cinzas lutando contra a indicação de Calheiros para a relatoria da CPI. A tendência é que esse confronto entre senadores governistas e oposicionistas, incluindo outros nomes como Randolfe Rodrigues, se intensifique. Mas, por exemplo, a relação direta entre Bolsonaro e o Senado, após a CPI, tende a permanecer a mesma que sempre foi. O presidente da casa, Rodrigo Pacheco, é um político mais de conciliação do que de confronto, diferentemente do ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Isso é ótimo para o governo.  

Assim como não contamos com a possibilidade de nem o presidente Jair Bolsonaro nem algum aliado seu ser punido por essa CPI, até por não existir motivos para tal, acreditamos convictamente que a chance de algum agente político, fora do governo federal, ser pego é zero. Essa CPI está desenhada para produzir material político para ser usado contra Bolsonaro nas eleições, mas em termos concretos ela já está fadada a terminar em pizza.