Resenha #06: ''O povo brasileiro mostrou que rejeita Lula''

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As manifestações do dia 1º de maio ainda estão dando o que falar. Várias cidades brasileiras viram uma multidão de verde e amarelo manifestando seu apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Mas e agora, qual conclusão podemos tirar desse ato? Reunimos nosso time de colunistas para a sexta edição do Resenha Política. Confira o que cada um disse sobre as ruas tomadas pela direita em um feriado que tradicionalmente era dominado pela esquerda.

Lucas Fraternais

Essas manifestações foram os cidadãos comuns, as pessoas do povo, que foram mais uma vez expressar aquilo que é a realidade de quem não está nos grandes veículos de comunicação, de quem não tem a garantia de receber super salários mesmo que a pandemia dure cinco anos, enfim, de quem não está desde 1889 participando de grupos que controlam o Brasil. É o ser humano do dia a dia que não concorda com o lockdown, que quer exercer o direito de trabalhar pra sustentar a sua família, que acredita que essencial é evitar que falte comida para os seus filhos. É o cidadão que sempre foi indignado com a impunidade no país e que não aceita que um corrupto, condenado em todas as instâncias, possa gozar dos direitos políticos como se errado fossem aqueles que querem combater a corrupção. As pessoas que foram pras ruas manifestar são aquelas que foram provocadas a agir dentro da democracia, que então se juntaram pra eleger um presidente diferente e que agora exigem que suas escolhas sejam respeitadas e que já estão sinalizando que vão optar pelo mesmo candidato em 2022.
 
Antônio Fidelium

Essas manifestações serviram para os direitistas fazerem muitos posts nas redes sociais, mas vai ficar apenas nisso. Não havia um objetivo claro, uma meta definida, um plano traçado. Alguns falaram que essas pessoas estavam pedindo voto auditável, mas quase não se falou disso. Pelo menos eu não vi. O que mais apareceu em destaque foi a frase "eu autorizo, presidente". Mas autoriza o que? Tenho a impressão que nem os manifestantes sabem o que eles estão autorizando, ficou muito vago. O próprio Bolsonaro foi muito vago quando disse que está só esperando um sinal da população. Sinal de que? Para que? Enfim, eu não consigo enxergar de forma positiva essa troca de mensagens vagas que ninguém sabe, efetivamente, do que se trata.

Raul Prudens

As manifestações de 1º de maio foram um capítulo importante nessa verdadeira queda de braço que existe no Brasil atualmente. Esquerda e centro, que se acostumaram a brigar pelo poder sem a concorrência da direita, que renasceu no Brasil apenas nos últimos anos, ainda não conseguiram aceitar que esse movimento direitista, recém-renascido, já chegou em tamanho muito maior que os movimentos esquerdistas e centristas, colocando um representante na presidência da república e, aos poucos, se espalhando por todos os setores do Brasil. Então agora o que estamos vendo são reações de parte a parte. A dupla esquerda-centro vem reagindo e ainda vai reagir bastante a esse ressurgimento estrondoso da direita, que por sua vez também reage por ainda não ser respeitada pela esquerda e pelo centro (e isso inclui boa parte da mídia, da elite do judiciário e da classe política) como uma ala legítima do processo democrático, e portanto um postulante com todo o direito de também colocar a mão no poder.

Isadora Salutem

Acho que essas manifestações apresentam uma armadilha bastante traiçoeira, principalmente para o presidente Jair Bolsonaro. Muitos dos que compareceram não têm nenhuma paciência para o jogo político, para o ritmo lento de Brasília, para as negociações que acontecem quase parando na política brasileira. A maioria desses manifestantes quer soluções imediatas, problemas sendo resolvidos rapidamente, de preferência com atitudes enérgicas, até mesmo radicais. Mas nós sabemos que nada disso vai acontecer. E quando essas pessoas se derem conta que foram às ruas "autorizar" o presidente, mas que não aconteceu nada daquilo que eles "autorizaram", como fica? Vão dizer que foram traídos pelo Bolsonaro? Enfim, a direita precisa colocar os pés no chão, ter mais paciência e atenção para a política e traçar metas bem mais realistas do que certos devaneios que tenho visto desde antes da eleição de 2018.
 
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Quatro conservadores aceitaram o convite de O Congressista e se disponibilizaram a realizar debates por escrito de todos os temas que forem propostos. No entanto, eles pediram para utilizar nomes fictícios para não serem reconhecidos e não sofrerem represálias em seus locais de trabalho, pois os quatro trabalham em ambientes dominados pela esquerda. 
 
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