Só teremos bons ministros no STF quando elegermos bons senadores

15:52:00 0 ''


Por Wilson Oliveira

No mais recente vídeo do canal O Congressista TV, tentei explicar o contexto que levou o presidente Jair Bolsonaro a fazer as indicações que tem feito, como por exemplo a de Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República, escolha que volta e meia reacende críticas e reclamações entre os apoiadores bolsonaristas. 

No vídeo, lembrei que o presidente Jair Bolsonaro foi eleito dizendo que enfrentaria o sistema de concentração de poder no Brasil. Salientei, no entanto, que embora ele tenha dado várias demonstrações de tentativa, vimos que o presidente sozinho não consegue mudar praticamente nada na política brasileira. Pra mudar pra valer, é preciso ter um amplo suporte do Congresso. 

Expliquei que cabe ao poder legislativo, na figura do Senado, aprovar ou reprovar as indicações, como por exemplo para o Supremo Tribunal Federal e para a Procuradoria-Geral da República. Um dos desejos de grandiosa parte da população brasileira é que os péssimos atuais ministros do STF sofram impeachment para em seus lugares entrarem pessoas mais qualificadas e mais comprometidas com a verdadeira função daquela Corte, que é salvaguardar a Constituição Federal.  

No entanto, o fato primordial dessa história toda é que só teremos bons ministros no STF quando elegermos bons senadores para o Senado Federal. Infelizmente, Bolsonaro não encontrou esses bons senadores que possibilitassem indicações de bons nomes que pudessem mudar esse sistema de concentração de poder, sustentado justamente pela composição do Congresso, formada desde 1985 por partidos que são filhos desse próprio sistema, institucionalizado pela Constituição de 1988.

>>> Por que Bolsonaro faz indicações como a de Augusto Aras?

Portanto, disse no vídeo que com um sistema de concentração de poder forte e bem estruturado e sem suporte no Congresso pra enfrentá-lo, Jair Bolsonaro vem fazendo aquilo que é apontado como o mais lógico politicamente: tentar furar o sistema com pessoas do próprio sistema. Pra quem não acompanha política isso pode parecer inusitado, mas quem está acostumado com política sabe que isso é bastante usual. 

Devemos ter em mente que para elegermos bons senadores, que quebrem esse panorama de concentração de poder, é preciso que promovamos uma profunda substituição dos partidos filhos desse próprio sistema por partidos conservadores. Ou seja, legendas que em vez de serem criadas por esse próprio sistema, sejam concebidas por pessoas comuns da sociedade brasileira, que sejam patriotas, que estiveram nas ruas no dia 7 de setembro para defender o direito à liberdade de expressão, opinião e pensamento. 

Tirando os atuais partidos lobbystas das eleições e colocando partidos legítimos, só assim o povo poderá votar em partidos criados pelo próprio povo, que defende as bandeiras defendidas pelo povo, possibilitando a eleição não só de bons presidentes, governadores, prefeitos, deputados e vereadores, mas também, e principalmente, de bons senadores, questão fundamental para diluir o sistema em voga de concentração de poder.  

Mais do que nunca o Brasil precisa de uma democracia de verdade, com participação ativa do povo, inclusive na elaboração de partidos, candidaturas, pautas e projetos a serem deliberados no Congresso. Democracia não é a vontade exclusiva de uma patota suja e dissimulada que se acha dona do país e tenta enganar o povo dizendo que essa concentração de poder é democracia.