Confira os pontos positivos e negativos de PP, PL e PTB para Bolsonaro

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Por Wilson Oliveira e Lucas Fraternais

Jair Bolsonaro tem conversas bastante avançadas com o PP para uma filiação. No entanto, nos últimos dias, o presidente da república abriu a mesa de negociações com o PL, gostando bastante de boa parte do que escutou dos caciques do partido. 

Porém, antes das manifestações do dia 7 de setembro, Bolsonaro ficou muito perto de fechar sua filiação com o PTB de Roberto Jefferson, chegando a debater com a cúpula da legenda o dia que seria feito o anúncio, como publicado de forma exclusiva por O Congressista. 

A situação atual aponta que Jair Bolsonaro tem essas três opções como destino partidário e muito dificilmente sua escolha fugirá de PP, PL ou PTB. Por isso, após conversas com jornalistas que cobrem mais de perto essas negociações e com assessores que participam indiretamente desses encontros, reunimos os pontos positivos e negativos que o presidente enxerga em cada uma dessas legendas. 

Partido Progressista (PP)

PRÓS: é o maior dos três partidos que Bolsonaro mantém conversas, tem mais prefeitos e mais parlamentares, tanto na esfera federal como nas esferas estadual e municipal; é um partido que já participa do Governo Federal atrávés do ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, que, aliás, é um canal aberto e direto com o Senado; é uma legenda que agrada ministros do governo que pensam em se candidatar, pelo fato de ter mais verba pública para investir nas candidaturas; seus caciques prometeram carta branca ao presidente Bolsonaro para escolha dos candidatos a senador em todos os estados; Eduardo Bolsonaro assumirá o controle do diretório de São Paulo caso ele e seu pai se filiem; existe a chance ainda remota de composição com o União Brasil, partido formado pela fusão de PSL e DEM.

CONTRAS: após prometer carta branca a Bolsonaro para escolher os candidatos ao Senado em todos os estados, o partido vetou o nome de Tarcisio Gomes de Freitas no Centro-Oeste alegando que já há candidatos a senador nos estados da região; os diretórios da Bahia, Pernambuco e Paraíba insistem em ter a liberdade de apoiar Lula mesmo que Bolsonaro se candidate pelo partido; existe um temor por parte dos conservadores que eles ocupem posições muito desvantajosas na nominata da legenda para a eleição de deputado federal; o partido ficou muito queimado pelas participações no escândalo do Mensalão e do Petrolão, o que poderia atrapalhar a comunicação de campanha de Jair Bolsonaro.

Partido Liberal (PL)

PRÓS: além de também ter a promessa de escolher os candidatos ao Senado em todos os estados, sem veto, Bolsonaro também terá a liberdade de definir os candidatos (ou apoios) aos governos de estados-chave, como Rio de Janeiro e São Paulo; nenhum diretório estadual do PL se opõe a filiação e apoio a Bolsonaro nas eleições de 2022; todas as decisões do partido são responsabilidade do seu presidente nacional, Valdemar Costa Neto, o que é considerado um ponto muito positivo por Bolsonaro, pois torna o partido mais dinâmico e ágil; conservadores podem ocupar posições mais vantajosas na nominata da legenda para a eleição de deputado federal; existe a chance ainda remota de composição com o União Brasil, partido formado pela fusão de PSL e DEM.

CONTRAS: embora tenha crescido nas eleições municipais de 2020, o partido ainda não figura entre os maiores do Brasil, como é o caso do PP; o atual vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos, que é filiado à legenda, é um opositor ferrenho de Bolsonaro e goza de imenso prestígio de Valdemar Costa Neto; antes de abrir conversas com Bolsonaro, o partido estava negociando com Lula a entrada na sua coligação; a legenda ficou muito queimada pela participação no escândalo do Mensalão, o que poderia atrapalhar a comunicação de campanha de Jair Bolsonaro.

Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)

PRÓS: Bolsonaro será o presidente de honra do partido caso se filie (que não é a mesma coisa que presidente do diretório nacional); Bolsonaro participará da formação da nominata para deputado federal, das escolhas de candidatos e apoios para o Senado e para o governo de todos os estados; Bolsonaro poderá sugerir a expulsão de membros do partido; a legenda modificou seu programa partidário assumindo um viés conservador; o partido é o preferido dos deputados federais bolsonaristas; desde que denunciou o escândalo do Mensalão, Roberto Jefferson se tornou um ferrenho opositor de Lula, do PT e da esquerda em geral. 

CONTRAS: o partido é muito menor que o PP e também menor que o PL, o que significa menos parlamentares, menos chefes de executivo e menos fundo eleitoral; Bolsonaro acredita que uma filiação à legenda poderia trazer mais problemas na sua relação com o STF pelo fato de Roberto Jefferson ser considerado um dos maiores críticos do Supremo; outro problema que uma filiação pode trazer é a fuga dos outros partidos - PP, PL e Republicanos - para a campanha de Lula ou da terceira via; fica descartada qualquer possibilidade de composição com o União Brasil, partido formado pela fusão de PSL e DEM. 

O QUEBRA-CABEÇA DE BOLSONARO

O mapeamento de pontos positivos e negativos de cada partido nos mostra que tanto o PP como o PL são as opções ideias para formar uma ampla coligação, o que pode ser fundamental não apenas para garantir candidaturas fortes aos governos estaduais e ao Senado em cada estado, mas também para impedir o surgimento de adversários fortes.

Por outro lado, o PTB é o partido adequado para acomodar os políticos conservadores que apoiam Bolsonaro e planejam renovar seus mandatos de deputado federal, ou mesmo para os conservadores que pretendem entrar na política pela primeira vez nas eleições de 2022.

Ao mesmo tempo, o PTB é um partido que tornaria praticamente inviável a formação de uma ampla coligação, que é um desejo real do presidente da república, assim como, por outro lado, tanto PP como PL não dariam o mesmo destaque para os conservadores que querem entrar na política e para aqueles que querem renovar seus mandatos, seja de deputado federal ou de deputado estadual. 

Uma opção já pensada seria a do presidente Jair Bolsonaro optar por PP ou PL, enquanto seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, se filiaria ao PTB com a condição de poder participar ativamente da elaboração da nominata do partido para as disputas de deputado federal e estadual.

Acontece que até mesmo essa opção tem o seu complicador: o partido escolhido por Bolsonaro - PP ou PL - ficaria insatisfeito se visse a possibilidade de ficar impedido de seguir outro caminho na eleição presidencial sendo que ao mesmo tempo correria o risco de não ampliar sua bancada na Câmara justamente por esbarrar na concorrência do PTB.

Para quem acha que a Jair Bolsonaro basta escolher uma legenda, aí estão todas as questões que nesse momento formam um verdadeiro quebra-cabeça na mesa presidencial. A informação mais atualizada que nós de O Congressista recebemos é que não está nada fácil solucionar todos esses pontos.