Bolsonaro espalhará aliados no PL, PP e Republicanos

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Por Wilson Oliveira

Após definir que irá se filiar ao PL, o presidente Jair Bolsonaro e a sua tropa de choque começaram imediatamente a trabalhar na formação da coalizão para a eleição presidencial. E nesse ponto, os trabalhos estão andando numa velocidade muito maior do que foi visto na definição do destino partidário do chefe do governo. Já é certo que além do PL, o PP e o Republicanos receberão filiações importantes de nomes ligados ao governo e participarão ativamente de um possível segundo mandato de Bolsonaro. 

Nessa coalizão, algumas questões já estão sacramentadas. As duas principais, referentes ao PP, é que o partido terá o nome que será o vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, além do apoio do governo para que Arthur Lira seja reeleito presidente da Câmara. Dessa forma, está confirmado que o deputado federal disputará a reeleição para o mesmo cargo, ficando fora de eleições majoritárias de Alagoas, seu estado. 

Numa tentativa de distribuição igualitária de destaque, o Republicanos também pode conquistar dois grandes espaços. Um é o de permanecer na gestão do Auxílio Brasil, que promete ser o maior programa social do Governo Bolsonaro, além de possivelmente ter o candidato do governo para a presidência do Senado, quando acabar o mandato de Rodrigo Pacheco à frente daquele colegiado.

Para as eleições de deputado federal, também está praticamente certo que Jair Bolsonaro pedirá votos tanto para os candidatos do PL como também do PP e do Republicanos. E para o presidente não haverá nenhum problema nisso, uma vez que os três partidos estão dispostos a ceder até mesmo o controle de alguns diretórios estaduais a nomes considerados bolsonaristas.

O controle de um diretório estadual é importantíssimo quando se fala em eleição para deputado, pois é o diretório estadual do partido que formaliza as nominatas (lista de prioridades de nomes que irão assumir os mandatos de acordo com a quantidade de votos que o partido irá receber, já que a eleição para deputado é proporcional) dos candidatos a deputado estadual e dos candidatos a deputado federal por aquele estado.

>>> A direita precisa reagir com inteligência a essa perseguição!

PSC, PATRIOTA, PROS, PTB, PRTB e União Brasil estão no radar

A coalizão de Jair Bolsonaro ainda tem chance de ficar maior. Outros cinco partidos têm possibilidade de fechar questão a favor de candidatura do atual presidente no primeiro ou no segundo turno. Ou, ao menos, de ficar neutro durante a eleição, mas abrir as portas para alguns aliados do presidente, como é o caso do União Brasil.

No caso do Patriota, do PROS e do PRTB, o senador Flavio Bolsonaro tem mantido conversas com líderes dessas legendas na tentativa de convencê-los a apoiar o seu pai. Nessas negociações, entretanto, não está sendo feita nenhuma promessa de cargo, filiação ou apoio em eleição majoritária. Esses partidos estão recebendo apenas uma garantia de que serão contemplados caso a reeleição de Jair seja confirmada nas urnas.

No caso do PTB, que se afastou de Jair Bolsonaro por ele não ter dado sinalizações fortes de apoio a Roberto Jefferson desde que o ex-deputado federal foi preso, existe uma conversa para que o partido receba filiações de bolsonaristas e, possivelmente, tenha até mesmo alguns apoios em eleições majoritárias. No entanto, a cúpula da legenda passou a trabalhar com a filiação do vice-presidente Hamilton Mourão para formar uma espécie de "oposição de direita" a Bolsonaro. 

Como dito, o caso do União Brasil é o mais simples. O partido caminha para a neutralidade na eleição presidencial. Junior Bozzella, presidente do diretório de São Paulo e desafeto de Bolsonaro, até tentou levar a legenda para fazer parte da candidatura de Sergio Moro, mas foi desautorizado por Luciano Bivar e ACM Neto, os dois principais caciques do novo partido. O objetivo é abrir as portas para alguns bolsonaristas usufruírem da estrutura partidária em disputas pelo Senado ou por governos estaduais. 

Governo e União Brasil trabalham com uma equação de 'ganha-ganha', onde os dois lados possam ter um saldo positivo. O União com a eleição de muitos deputados federais, senadores e governadores, que é o principal objetivo do partido, e o governo com o apoio de todos esses nomes, ou, pelo menos, que se não forem ferrenhos apoiadores que também não entrem no terreno da oposição. 

Já o PSC, dentre esses partidos, é o que está em estágio mais avançado para entrar na coalizão de Jair Bolsonaro, figurando como uma opção bastante provável para receber filiações de peso, como, por exemplo, do deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança, além de outros nomes. Esses políticos considerados bolsonaristas podem, inclusive, assumirem o comando de diretórios estaduais, se responsabilizando pela nominata de candidatos a deputado, tanto estadual como federal.