Esquerdistas do PL preparam desfiliação coletiva em repúdio a Bolsonaro

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Por Wilson Oliveira

Tão logo ficou definido que o PL vai rever todos os acordos estaduais que desagradam Jair Bolsonaro, os opositores do presidente da república na legenda começaram a se movimentar para uma desfiliação coletiva em tom de repúdio.

A ideia desse grupo de filiados, pertencentes das regiões Norte e Nordeste e coligados nos seus estados com partidos de esquerda como PT e PDT, é deixar claro que a chegada de Bolsonaro ao PL não é uma unanimidade e que essa filiação foi uma imposição do cacique da legenda, Valdemar Costa Neto.  

Na reunião realizada na última quarta-feira entre Valdemar e os comandos de todos os diretórios estaduais do PL, a primeira desfiliação do partido já ficou definida. Trata-se de Maurício Quintella, secretário de Infraestrutura de Alagoas, estado governado por Renan Filho (MDB), filho do senador Renan Calheiros, um dos adversários do governo federal.

Quintella tem o hábito de atacar Jair Bolsonaro no Twitter, inclusive utilizando xingamentos como "genocida". E na reunião do PL, fez questão de deixar claro que estava decepcionado com os rumos que o partido estava tomando ao se adaptar em todos os estados para receber o presidente da república e seus aliados. 

>>> A direita precisa reagir com inteligência a essa perseguição!

Outro que já é dado como certo de sair do PL é o deputado federal Marcelo Ramos, do Amazonas, aliado do senador Omar Aziz e vice-presidente da Câmara dos Deputados. Ele tem reunião marcada com Valdemar Costa Neto para os próximos dias, mas já declarou que não dividirá palanque com Jair Bolsonaro "de jeito nenhum". 

Em outros estados, os caciques ainda acreditam que poderão conciliar os acordos firmados com a chegada do presidente Jair Bolsonaro. Na Bahia, o diretório do PL tenta unir o presidente e o prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), que tentará o governo, no mesmo palanque. O mesmo acontece no Pará, com o governador Helder Barbalho (MDB), que buscará a reeleição.

No Piauí, talvez encontre-se a situação mais delicada. O presidente do diretório estadual, Fábio Xavier, é secretário de Cidades do governo Wellington Dias, que é do PT. Após a reunião do partido, Fábio saiu dizendo que não irá se desfiliar nem desfazer a parceria com o petista. Ele afirmou que não vê problemas na chegada de Bolsonaro ao PL e na manutenção dessa aliança com a esquerda. 

Fontes do PL, entretanto, asseguraram a O Congressista que os demais membros do diretório do partido no Piauí devem mudar de legenda para manter a aliança com o PT, o que vai provocar um esvaziamento na força de Fábio Xavier, o obrigando a também deixar o PL ou simplesmente ficar no partido, mas sem estar aliado com o governador do estado.