Problema encontrado por Bolsonaro no PL é o mesmo do PP

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Por Wilson Oliveira

O casamento do presidente Jair Bolsonaro com o PL não está cancelado, apenas a cerimônia ficou sem data marcada. E o motivo não é nada inédito. Com a tradição de fazer alianças regionais 'com qualquer um', partidos do centrão estão encontrando dificuldade para se enquadrarem numa linha eleitoral de direita que o presidente tem exigido para se filiar.

Como é comum no mundo político brasileiro dividido por inúmeros partidos, prefeitos e governadores que buscam a reeleição deixam seu arco de alianças bem amarrado muito antes do ano eleitoral, uma vez que esses acordos costumam ser feitos com os partidos da própria base do governante em questão. 

Curiosamente, o motivo para o Bolsonaro não ter se filiado ao PP vai reaparecendo no casamento quase marcado com o PL. Se no partido de Ciro Nogueira alguns estados da região Nordeste foram vistos com panorama de alianças incontornáveis, o mesmo não se diz (ainda) do partido de Valdemar Costa Neto sobre os acordos firmados na região.

Entretanto, nos últimos dias, o diretório nacional do Partido Liberal soltou um comunicado deixando os diretórios estaduais totalmente à vontade para manterem seus acordos já firmados mesmo após o evento de filiação do presidente Jair Bolsonaro, o que incomodou o chefe do governo federal. 

Ao abordar o assunto em troca de mensagens com Valdemar, outra questão veio à tona: a eleição para o governo de São Paulo. Além de fazer parte da base de apoio ao governador João Doria, o PL se comprometeu a apoiar Rodrigo Garcia (PSDB), que será o candidato da situação na eleição daquele estado. Bolsonaro se colocou totalmente contra essa aliança, assim como as do Nordeste com PT e afins. 

>>> A direita precisa reagir com inteligência a essa perseguição!

Esse problema não deixa de ser uma mudança no cenário que se desenhava favorável para Jair Bolsonaro se filiar ao PL. Diante de uma movimentação que se iniciava dentro do partido, com contrários ao presidente da república ameaçando uma desfiliação em massa por reprovarem a chegada da nova estrela da legenda, Valdemar garantia que não iria fazer nenhum esforço para manter esses insatisfeitos nos quadros da sigla. 

Tudo mudou justamente com o informativo do diretório nacional do PL assegurando que os acordos já firmados em níveis estaduais teriam apoio da cúpula partidária para serem mantidos. Famoso por cumprir com sua palavra nos bastidores políticos, Valdemar Costa Neto precisará escolher se vai priorizar a filiação de Bolsonaro ou as alianças regionais do seu partido com legendas de esquerda. 

Bolsonaro ainda não discute filiação com outro partido

Tão logo saiu a notícia do cancelamento do evento de filiação de Jair Bolsonaro ao PL, quadros do PTB se movimentaram solicitando a presidente do partido, Graciela Nienov, um convite para que o presidente da república se filiasse à legenda. Graciela, no entanto, tem respondido que Bolsonaro já tem em mãos um convite formal feito pelo PTB há cerca de um mês e meio. 

Além de explicar que o convite já foi feito, Graciela Nienov tem comentado estar decepcionada com o presidente por ele não ter manifestado apoio ao ex-deputado Roberto Jefferson, desde sua prisão, além de ter menosprezado o PTB por preferir negociar com PP e PL.

O PP, por sua vez, está assistindo esse vai-não-vai de camarote, sem esboçar nenhuma reação. Existe um consenso entre os caciques do partido que é melhor apenas fazer parte da coligação do Bolsonaro do que receber a filiação do presidente, justamente porque a legenda de Ciro Nogueira não quer obrigar os diretórios do Nordeste a desfazerem seus acordos de alianças já firmados com os partidos de esquerda, como PT e PDT.