Podemos orienta Moro a concentrar suas críticas apenas em Lula

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Por Wilson Oliveira

Quando Sergio Moro acertou sua filiação ao Podemos para concorrer à presidência da república, uma questão ficou definida entre o ex-juiz da Lava Jato e seu partido político: os ataques deveriam recair muito mais em Lula do que em Bolsonaro. A avaliação de dirigentes do partido é que Moro tem um enorme potencial de roubar votos de desiludidos com o atual governo federal, como o próprio Sergio Moro, mas que arrancar votos do petista seria uma missão completamente impossível. 

Seguindo nessa linha, esses caciques partidários concluíram que disparar críticas ao ex-presidente da república seria o bastante para conquistar de vez esses votos, impedindo também que esses descontentes migrassem para a candidatura de Ciro Gomes, do PDT, que antes da entrada de Moro na disputa tentava se viabilizar como candidato da chamada "terceira via".

Como prova de que essa orientação está sendo seguida à risca, nesta quinta-feira Sergio Moro subiu o tom nas críticas ao pré-candidato petista. Moro disse que o valor do salário que passou a receber do Podemos (R$ 22 mil) foi definido em comum acordo com a direção do partido e que esse montante é menor do que aquele recebido por Lula do PT (R$ 27 mil). Além disso, o ex-juiz da Lava Jato, responsável pelas condenações do próprio Lula, afirmou que o petista não deve nem saber o preço atual da gasolina por andar cercado de seguranças.  

>>> A direita precisa reagir com inteligência a essa perseguição!

Em parte, essa estratégia parece estar dando certo. De acordo com as pesquisas divulgadas após a filiação de Moro ao Podemos, o ex-juiz aparece com um percentual de votos suficientes para deixá-lo em terceiro lugar, fazendo Ciro Gomes perder valiosa quantia. No entanto, de acordo com especilistas ouvidos por O Congressista, boa parte desses votos atualmente atribuídos a Moro podem retornar para Jair Bolsonaro a partir do momento que a economia brasileira recuperar seu fôlego e esses eleitores perceberem que o segundo turno será mesmo entre o atual presidente e o petista. 

E como nem tudo são flores nessa recém iniciada caminhada de Moro no mundo eleitoral, ainda existe uma pedra no sapato do ex-juiz que é a sua já conhecida posição "em cima do muro". Muitos eleitores declaradamente de direita têm cobrado de Sergio Moro posicionamentos em temas considerados essenciais, principalmente aos conservadores. Desde que aceitou ser ministro de Bolsonaro, entretanto, o ex-juiz tem mantido um perfil tipicamente "isentão". 

Para aprofundar ainda mais essa desconfiança do eleitorado direitista sobre Sergio Moro, não foram raras as tentativas do ex-ministro de nomear quadros progressistas quando comandava a pasta de Justiça e Segurança Pública. Em alguns desses casos, o presidente Jair Bolsonaro precisou intervir para desfazer as nomeações e, assim, acalmar os ânimos dos apoiadores do governo, obviamente pessoas de direita. 

Dentro do Podemos, entretanto, embora o nome de Sergio Moro não tenha enfrentado nenhuma resistência, há quadros que são simpáticos ao presidente Jair Bolsonaro, inclusive atuando claramente a favor do governo. Um exemplo é o senador Eduardo Girão, que embora se declare independente, tem uma atuação parlamentar considerada governista. Na CPI da Covid, Girão ficou ao lado do grupo minoritário que defendeu Bolsonaro. Na Câmara, está previsto que alguns deputados do Podemos migrem para o PL assim que for aberta a janela partidária, em maio, num movimento de abandono de Moro e adesão à reeleição do presidente.