Desorganização da direita colaborou para aumento do fundão


Por Wilson Oliveira

Com a sanção do Orçamento da União para 2022, o presidente Jair Bolsonaro manteve o valor de R$ 4,9 bilhões para o fundo eleitoral, o chamado fundão. Esse montante é destinado aos partidos para financiarem a campanha política das eleições deste ano.

Em agosto de 2021, o governo federal havia anunciando que o presidente Jair Bolsonaro decidiu vetar o aumento do Fundo Eleitoral e as despesas para o ressarcimento das emissoras de rádio e de televisão pela inserção de propaganda partidária. Caso esse veto fosse aprovado pelo Congresso, o valor do fundão permaneceria em R$ 2,1 bilhões, o mesmo da campanha de 2018.

No entanto, durante a aprovação do Orçamento no Congresso, o veto do presidente Jair Bolsonaro foi derrubado e o valor subiu para R$ 4,9 bilhões. Uma parte dos parlamentares ainda não está satisfeita e deseja que o governo eleve o valor para R$ 5,7 bilhões. O Ministério da Econonomia é contra e defende que não haja mais nenhum aumento para o fundão, que no valor aprovado já ganha um incremento de mais de 200%.

O aumento do fundo eleitoral beneficia diretamente esquerda, terceira via e centrão, enquanto uma parte da direita bate o pé e reclama, outra apenas engole seco por saber que não havia nada a ser feito para impedir essa catástrofe. A verdade incontestável é que quem decide questões como essa é o Congresso Nacional, dominado justamente por esquerda, terceira via e centrão. E a direita, para intervir nessas decisões, precisará se organizar politicamente. 

Confira abaixo um conjunto de perguntas e resposta que ajuda a clarear melhor essa questão do aumento do fundo eleitoral versus a desorganização política direitista.

Por que o fundão foi aumentado para R$ 4,9 bilhões, representando uma alta de 200%? Em linhas gerais, porque os partidos existentes no Brasil - de esquerda, do centrão e da terceira via - são fraquíssimos na conexão de ideia com os eleitores e necessitam tirar dinheiro da população à força para existirem. Se esses partidos brasileiros dependessem da sua identidade, da sua originalidade, da sua defesa de pautas e convicções para conseguirem doações, iriam morrer melancolicamente, ou por serem de esquerda, o que não encontra suporte na maior parte do povo, ou por serem uma geleia vazia que não representa nada, a não ser interesses particulares. É por isso que quando se fala em doações privadas para esses partidos, pensa-se imediatamente em doações vindo de grandes corporações, pois nesse caso a conversa passa bem longe do que é o real papel de um partido político. 

Qual a principal consequência política desse aumento do fundão? A culpa recaindo praticamente toda sobre os ombros do presidente Jair Bolsonaro, com esquerda, centrão e terceira via, se não saem ilesos, também não sofrendo maiores danos. Afinal, Bolsonaro é quem assina a sanção do Orçamento, que é o ato final. E no Brasil olha-se apenas o ato final do presidente da república e se esquece muito facilmente o caminho, a motivação e como acontecem essas questões dentro do Congresso Nacional.

Bolsonaro poderia evitar esse aumento? Não. Se ele vetasse novamente, o Congresso iria derrubar o seu veto pela segunda vez.

O governo poderia buscar outra maneira, além do veto, para barrar esse aumento? Outra maneira seria recorrendo ao STF, que já não é simpático ao governo e muito provavelmente daria ganho de causa para o Congresso. 

O NOVO entrou no STF alegando que o aumento é inconstitucional, mas o governo respondeu dizendo que é constitucional. O governo não poderia dar razão ao NOVO? Se o governo investisse nesse movimento, que seria uma derrota certa no STF, estaria comprando uma briga com o centrão que é justamente a sua base de sustentação no Congresso. O NOVO está na dele, agindo de forma independente, sem nada a perder, fazendo aquilo que seu eleitor espera. O governo precisa defender o próprio governo, isso significa manter uma base consistente no Congresso. 

Não seria mais correto comprar essa briga para impedir algo totalmente imoral? Mais correto sob qual ponto de vista? Jair Bolsonaro iria implodir a sua coligação já montada para 2022 se comprasse essa briga com o centrão, que é a maior força do Congresso. Esquerda e terceira via iriam adorar. No final das contas iriam vencer de qualquer jeito, pois o fundão seria aumentado com ou sem o apoio do governo, mas de brinde ainda veriam o principal adversário perdendo a sua base política. E o centrão poderia escolher Lula ou algum nome da terceira via para a eleição, pois seu objetivo principal é eleger deputado federal. 

E o Bolsonaro precisa do centrão para se reeleger? Talvez não precise para se reeleger, mas precisa do centrão pra formar alguma base política, pois não tem como depender apenas da direita pra isso pois a direita nem partido tem. E no Brasil formar base no Congresso é até mais importante do que vencer eleição pra presidente. Um presidente sem base grande no Congresso só resta liderar um governo natimorto sem poder de aprovações legislativas.

Essa base política não poderia ser montada se Bolsonaro fosse para um partido nanico? Se ele fosse para um partido nanico, seria engolido nas eleições legislativas, como já foi em 2018 (enquanto a direita elegeu 50 deputados, o centrão elegeu 200), e poderia encontrar um Congresso muito mais hostil do que encontrou entre 2019 e 2022.

O que é preciso para o Brasil se ver livre de pautas como essa do aumento do fundão? A direita se organizar politicamente, montar partidos próprios e invadir o poder legislativo nacional, ou seja, eleger 200 deputados federais em vez de eleger apenas 50. Aí sim suas vontades teriam mais força lá dentro do que as vontades do trio esquerda, terceira via e centrão.

E por que a direita ainda não fez isso? Porque a direita brasileira ainda é majoritariamente composta por pessoas que entram na política visando sua própria promoção sem se preocupar com a falta de organização política da direita. Você vê nas redes sociais direitistas brigando pra ver quem vai ser candidato a deputado aqui e senador ali, mas não vê nenhum direitista falando que chegamos a mais uma eleição sem partido próprio e que, por isso, o centrão novamente será a maior força dentro do coração da política brasileira: o Congresso Nacional. E se não for o centrão, será esquerda e/ou terceira via, pois são essas três forças que têm partido.

O que a direita poderia descobrir se olhasse mais para a sua própria desorganização? Que o centrão só é a maior força política no Congresso, principalmente na Câmara, por estar ocupando o espaço que naturalmente seria dos partidos de direita, se esses existissem.

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