Holodomor: a grande fome na Ucrânia provocada por Josef Stalin


Por Wilson Oliveira

O mundo está observando, aflito, a um verdadeiro massacre que a Rússia, liderada por Vladimir Putin, está provocando ao bombardear cidades da Ucrânia, com a quantidade de civis inocentes mortos chegando à casa dos milhares. E não é a primeira vez que a nação eurasiática é responsável por causar óbitos em larga escala no território ucraniano.

Holodomor, que em ucraniano significa "deixar morrer de fome", foi o genocídio do povo da Ucrânia promovido pelo líder da União Soviética Josef Stalin, entre 1931 e 1933, através das suas catastróficas políticas econômica e agrícola.

Assim que assumiu o poder, em 1929, Stalin adotou como medida de governo o controle da produção de cereais dos países da União Soviética. Ou seja, os camponeses eram obrigados a fornecer para o estado a custos quase zero todo o "excedente" da produção agrícola.

 

Nos anos seguintes, a situação só piorou. O líder soviético adotou a política de coletivização forçada das propriedades agrícolas, que passavam a ser administradas e racionalizadas pela URSS. De todos os países da chamada Cortina de Ferro, que reunia as nações tidas como colônias soviéticas, a Ucrânia foi a que apresentou a maior resistência a essa insanidade. 

Havia uma questão muito delicada sendo posta à mesa. De um lado, a autonomia cultural e a forte identidade nacional dos ucranianos não tolerava que a influência dos soviéticos russos fosse tão profunda. Do outro lado, Stalin não aceitava essa insurreição vinda da Ucrânia, o que o levou a adotar medidas ainda mais radicais, usando como justificativa o fato de estar se defendendo de "ameaças perigosas".

Ao apontar a nação ucraniana como inimiga das ambições comunistas soviéticas, Josef Stalin deu início a uma forte política antiucraniana. Além de desmantelar organizações antissoviéticas que surgiam na Ucrânia e de humilhar os intelectuais ucranianos que tentavam explicar o dano que a URSS causava para a região, Stalin estipulou altíssimas metas de produções cereais aos camponeses da Ucrânia, que passavam a ser obrigados a alimentar o poder central soviético.

 

A rigidez dessas metas tornou impossível que a produção agrícola ucraniana atendesse a demanda interna do próprio país. A partir daí o que se viu foi um profundo aumento de pessoas passando fome. O número de prisões também se acentuou, com a detenção de ucranianos que saíam às ruas à procura de comida. Não demorou para que o número de óbitos disparasse. Entre 1931 e 1933 cadáveres foram vistos espalhados pelas ruas da Ucrânia, assim como a imagem de adultos e crianças completamente desnutridos. 

De acordo com inúmeros historiadores não apenas da Europa, mas de todas as partes do mundo, estipula-se que no período entre 1931 e 1933 a quantidade de ucranianos mortos foi de 5 milhões. No entanto, esse número chega a 14 milhões, podendo ser até superior, se forem considerados os efeitos prolongados da fome imposta ao povo da Ucrânia, além dos cidadãos que foram levados para trabalhos forçados na URSS e por lá morreram.


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