Sistema usa Lula para forçar Bolsonaro a desistir da reeleição


Por Wilson Oliveira

Que o Bolsonaro não é o candidato favorito do sistema, isso tudo mundo já sabe. Que o sistema deseja derrubá-lo desde o primeiro dia do seu governo, também é algo bastante notável. O que talvez as pessoas ainda não tenham percebido é o possível motivo oculto por trás da inabalável liderança de Lula em toda pesquisa divulgada pela grande mídia.

Com a CPI da pandemia levantando supostos crimes cometidos pelo presidente Jair Bolsonaro, já está em voga por parte de todos aqueles que contam os segundos para o fim do atual governo uma tese de que Bolsonaro será preso assim que não estiver mais cumprindo nenhum mandato, portanto sem a proteção do foro privilegiado. 

O sistema, que passou dois anos sonhando com a queda de Jair Bolsonaro via impeachment, desistiu de vez da ideia quando percebeu, primeiro, que havia uma parcela bastante significativa da sociedade que não iria deixar de apoiar o presidente, segundo, que a parte da população que também sonha com a queda bolsonarista é completamente incapaz de lotar a praia de Copacabana e a Avenida Paulista em proporção igual ou superior aos cidadãos que vestem verde e amarelo. 

Mesmo assim, as pesquisas têm colocado Lula em primeiro lugar de forma absoluta, dando a entender que o petista está muito próximo de vencer a eleição ainda no primeiro turno. De fato é algo bastante inusitado, já que o sentimento antipetismo ainda é basante vivo na sociedade brasileira por conta dos recentes e grandiosos esquemas de corrupção que foram revelados há poucos anos. 

Daí surge o que pode ser interpretado como plano B do sistema, inclusive com algumas colunas da grande mídia não se furtando em colocar a ideia como 'sugestão'. Para O CONGRESSISTA já está bastante claro o que se pretende com todo esse teatro: forçar que Jair Bolsonaro desista de concorrer à presidência da república. 

Setores da velha imprensa até já cogitaram que Bolsonaro poderia disputar (e vencer) para senador e que, sendo assim, além de manter o foro privilegiado, ainda poderia ser o principal nome da oposição. 

Mas felizmente para todos aqueles que apoiam Jair Bolsonaro e não acreditam nesses levantamentos feitos por institutos que gozam de cada vez menos credibilidade junto ao povão, não há nenhum indicativo que o atual presidente da república vá desistir de concorrer à reeleição. Seria até estranho, se tratando de alguém com alma militar, cuja característica principal é a de não desistir das suas missões. 

LULA NÃO É O CANDIDATO PREFERIDO DO SISTEMA

O que muitos na direita também não conseguiram perceber é que Lula tampouco é o candidato preferido do sistema. A esquerda não apenas sonha com a queda do Bolsonaro como sonha também em assumir de vez o comando total de todas as instituições brasileiras, sem cometer os 'erros de estratégia' que foram cometidos na primeira oportunidade do PT. Luis Inácio Lula da Silva é o caminho enxergado por todo esquerdista para isso. 

No entanto, o sistema resiste em entregar tudo de bandeja, seja para Bolsonaro seja para Lula, e ainda mantém de pé o sonho de algum nome da terceira via obter algum crescimento. Porém, para o azar daqueles que sempre estiveram no comando da república brasileira, até o momento não surgiu nenhum nome da terceira via (o bloco político que representa oficialmente o sistema) que consiga fazer alguma frente ao líder da direita e ao líder da esquerda no país. 

Sergio Moro, por sua vez, que tem um público fiel, agrada a uma ala minoritária do sistema e, portanto, não terá o apoio que imaginava ter dos poderosos. Seu trabalho na Lava Jato e a forma a qual largou o governo atual deixou muita gente insegura do que ele poderia fazer caso alcançasse a presidência. 

Sergio Moro poderia se aproveitar de todo apoio que recebeu para chegar à presidência, mas uma vez empossado resolver trair todo o sistema tentando criar mecanismos que atrapalhasse a vida de muitos poderosos. E com uma diferença muito grande para Jair Bolsonaro: Moro é calmo, educado, formal e tranquilo, o que o torna uma pessoa mais difícil de atacar do que Bolsonaro. 

Mas é claro que, caso Sergio Moro se transformasse em presidente da república e procurasse enfraquecer o sistema de concentração de poder (o que também não seria algo certo de acontecer em um eventual governo Moro), a tarefa seria praticamente impossibilitada de ser executada se o Congresso mantivesse como maiores forças o centrão e a terceira via, o que certamente se repetirá nas eleições deste ano.

Portanto, na visão de O CONGRESSISTA, o nome que naturalmente seria o preferido do sistema é o de João Doria, mas sua impopularidade em São Paulo certamente se transformou em um impeditivo. Então, o sistema passou a colocar Eduardo Leite como bola da vez, mas o resultado das prévias no PSDB acabou não ajudando. Agora, já se fala em Leite como possível candidato pelo PSD, o que muitos tratariam como uma reviravolta eleitoral daquelas, mas que para este site não seria nenhuma surpresa. 

Gay declarado, com experiência política e sem nenhuma vontade de desconstruir o sistema de concentração de poder falsamente chamado de democracia, Eduardo Leite seria o perfeito candidato dos sonhos de boa parte desse sistema, que dormiria tranquilo todas as noites enquanto o atual governador do Rio Grande do Sul estivesse ocupando o Palácio do Planalto lá em Brasília. 


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