A 1ª geração da direita brasileira: conservadores no Brasil Império


Por Wilson Oliveira

A primeira geração da direita brasileira existiu ainda na época do Brasil Império. Sua representação foi o Partido Conservador, fundado por volta de 1836 por moderados participantes da Abdicação do Imperador Dom Pedro I, que repassou o trono ao seu filho, Dom Pedro II, em ato que marcou o fim do Primeiro Reinado e o início do período regencial no Brasil.

Contrários a Dom Pedro I, que havia composto seu governo com inúmeros liberais, os membros do partido conservador possuíam natureza monarquista e depositaram todo apoio a Dom Pedro II. Além de se definirem obviamente como conservadores, também se apresentavam como regressistas, por fazerem uma contraposição aos progressistas seguidores do Padre Diogo Antônio Feijó, que naquela época já paqueravam ideias republicanas vindas da Europa. 

As alas do Partido Conservador eram notadamente formada por proprietários rurais, comerciantes bem sucedidos e funcionários do alto escalão do governo, que tinham proximidade com a Monarquia. Os fundadores do Partido Conservador foram Honório Hermeto, Carneiro Leão, Bernardo Pereira de Vasconcelos, Joaquim José e Rodrigues Torres. Eles tinham em comum a formação superior na área do direito, o que lhes conferia uma enorme capacidade discursiva e textual, além de habilidades administrativas e conexões com a elite agroexportadora e bancária.
 
 

O Partido Conservador do Brasil Império defendia o conservadorismo político disseminado por Edmund Burk; o liberalismo econômico inspirado em Adam Smith; a monarquia parlamentarista como sistema político, com uma atenção muito forte ao controle fiscal dos gastos públicos; além de rigor em pautas como segurança pública, embora a violência daquela época não chegasse nem perto do problema que é nos dias de hoje.

O catolicismo romano era a religião oficial do Partido Conservador do Brasil Império, que tinha suas forças bem enraizadas nas províncias de Minas, São Paulo e do nordeste brasileiro. No entanto, em 1862, um grupo de membros da legenda se voltou contra o fato do catolicismo ser a religião oficial do partido, formando a Liga Progressista, que pouco tempo depois se tornou uma dissidência do Partido Conservador, com seus membros se transferindo para o Partido Liberal. 

Essa ida de ex-membros do Partido Conservador gerou atritos no Partido Liberal. Histórico membros liberais mais radicais não concordaram com a entrada de dissidentes conservadores e monarquistas e, portanto, fundaram o Partido Republicano, cujo principal propósito era defender a queda do Império no Brasil.
 
 

Bernardo Pereira Vasconcelos, um dos fundadores do Partido Conservador, nessa ocasião, fez um discurso que ficou bastante famoso. Ele lembrou que tinha sido liberal quando mais jovem, mas que abandonou o liberalismo por entender que a liberdade irrestrita traria desorganização ao país. 

"Fui liberal, pois, então, a liberdade era nova no nosso país, estava nas aspirações de todos, mas não nas leis, não nas ideias práticas; o poder era tudo; portanto, fui liberal. Hoje, porém, é diverso o aspecto da sociedade: os princípios democráticos tudo ganharam e muito comprometeram; a sociedade que até então corria o risco pelo poder, corre agora o risco pela desorganização e pela anarquia. Como então quis, quero hoje servi-la, quero salvá-la e por isso sou regressista. Não sou trânsfuga, não abandono a causa que defendi no dia do seu perigo, de sua fraqueza: deixo-a no dia que tão seguro é o seu triunfo que até o excesso a compromete".

O Partido Conservador deixou de existir no dia 15 de novembro de 1889, assim como o Partido Liberal e o Partido Republicano, data em que ficou marcada a queda da Monarquia brasileira através de um golpe de estado arquitetado por todos aqueles, desses dois últimos partidos, que não aceitavam medidas impactantes adotadas por conservadores e monarquistas em conjunto com a Princesa Isabel, como, por exemplo, o fim da escravidão no Brasil.


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