A 2ª geração da direita brasileira: conservadores da UDN


Por Wilson Oliveira

A segunda geração da direita brasileira teve como principal representação o partido UDN (União Democrática Nacional), fundado no dia 7 de abril de 1945, de linha conservadora e ferrenho opositor de Getúlio Vargas. O lema da legenda era uma frase atribuída ao teórico irlandês John Philpot Curran: "O preço da liberdade é a eterna vigilância". Seu símbolo era uma tocha acesa.

A União Democrática Nacional reunia diversas correntes que nos anos anteriores haviam se colocado em oposição à ditadura do Estado Novo. Setores liberais que desde 1943, com o lançamento do Manifesto dos Mineiros, vinham se manifestando pelo fim do regime ditatorial, se articularam para lançar a candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes à presidência da república. Foi para dar sustentação a essa candidatura que a UDN foi criada.

Na sua origem, o partido compunha uma frente unificada de lideranças estaduais desalojadas do poder pelo Golpe de 1930. O baiano Otávio Mangabeira, o paulista Júlio Prestes, o ex-presidente Artur Bernardes, os clãs políticos Konder, de Santa Catarina, e Caiado, em Goiás, eram exemplos dessas lideranças que se uniram para formar a União Democrática Nacional.
 
 

Após formada, a UDN também recebeu o ingresso de ex-aliados de Getúlio Vargas que romperam com ele ao longo da década de 1930, como José Américo de Almeida, Juarez Távora, Antônio Carlos, Juraci Magalhães, Carlos de Lima Cavalcanti e Flores da Cunha. Também chegaram históricos liberais, como os irmãos Virgílio e Afonso Arinos de Melo Franco, Raul Pila, Pedro Aleixo, Odilon Braga e Milton Campos, que acabaram por não ficar muito tempo no partido alegando que a legenda era "muito conservadora".

Assim como acontecia com os partidos conservadores ao redor do mundo naquela época, principalmente na Inglaterra e na Irlanda do Norte, berços do conservadorismo político, a UDN tinha uma relação de idas e vindas com o liberalismo econômico. Embora toda a base teórica de Adam Smith fosse exaltada no programa partidário do partido, que defendia a abertura econômica ao capital estrangeiro, foi também da UDN a criação da campanha "O petróleo é nosso", que culminou com a criação da Petrobras, estatal responsável pelo monopólio no mercado petrolífero brasileiro.

Fora o aspecto econômico, o udenismo, como ficou conhecido o movimento de filiados e apoiadores do partido, caracterizava-se pela defesa do conservadorismo, com a utilização de ideias do liberalismo clássico, mas também enfatizando com muita força a questão da moralidade e a fortíssima oposição ao populismo. Os membros da UDN costumavam dizer que um político precisava defender o que era certo, mesmo que isso pudesse desagradar boa parte dos eleitores.
 
 

A UDN também defendia a educação pública como meio de reforçar noções do patriotismo e da ordem moral e cívica. Entretanto, não estava no escopo do partido um estado grande e pesado. Ao contrário, o monopólio no mercado petrolífero e a educação eram dois dos poucos pontos em que os udenistas defendiam uma espécie de estatização. Nas demais áreas, eram bastante a favor do mercado privado.

Dissolvida em 27 de outubro de 1965 por meio do Ato Institucional Nº 2 publicado pelo Regime Militar, a UDN teve membros históricos como Carlos Lacerda saindo de cena na política brasileira. Apoiadores da revolução militar de 1964, os udenistas não demoraram para romper com os militares ao perceberem que a promessa de convocação de eleições com apoio à candidatura de Lacerda à presidência não seria cumprida. 

Durante o período do bipartidarismo no Brasil, muitos membros da UDN fizeram parte do partido Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Após a publicação da Lei nº 6.767, que permitiu o registro de novos partidos no país, os udenistas foram para o PDS, mas logo criaram uma dissidência, formando o PFL.


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