''Para ser líder da direita, é preciso fundar um partido'', diz analista político

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Por Wilson Oliveira

A forma que o presidente Jair Bolsonaro encontrou para explicar o seu ingresso ao PL e a aliança com o centrão foi fazendo a seguinte afirmação: "Vocês votaram num cara do centrão".

O ano de 2022 é eleitoral, motivo que por si só mexerá bastante com o sentimento de todos os eleitores brasileiros. Com os direitistas não será diferente. Por isso, O Congressista realizou a segunda entrevista com o analista político Rodolfo Quintella para tratar do assunto. 

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Na conversa a seguir, Quintella revela acreditar que Bolsonaro está "de saco cheio" de ser presidente do Brasil e de ser líder da direita brasileira por não apresentar o perfil adequado para exercer esses tipos de funções. 

Rodolfo Quintella também comentou o que ele espera de alguém para ocupar essa função de liderança entre os direitistas brasileiros. Confira o bate-papo abaixo: 

Bolsonaro disse que seus eleitores votaram em um cara do centrão. Ele renunciou a liderança da direita?

Acredito que os apoiadores que são fechamento total vão entender isso como declaração estratégica e quem não é fechamento total vai ver como algo óbvio. Mas enxergo nessa declaração muito mais do que uma renúncia a liderança da direita, acho que Bolsonaro está de saco cheio de ser presidente.

E por que acredita que ele está de saco cheio da presidência?

É fácil perceber que o Bolsonaro não foi feito para organizar tanta coisa por tanto tempo, com tanta formalidade. O Bolsonaro é o tiozão do churrasco, da pesca, que senta na mesa com os amigos e fica falando o que bem entende. O cargo ideal para ele na política é deputado ou vereador. Eu duvido que ele tenha vontade de ser governador ou de voltar a ser presidente quando acabar esse seu governo.

Dizer que é um cara do centrão não pode ser parte da estratégia para composição de chapa em 2022?

Para ser bem sincero, não acredito. Como um cara do centrão, ele sabe que esse tipo de declaração não vai encher a barriga de ninguém do próprio centrão. Eles querem espaço no governo, ministério, indicações, eleger seus afilhados, emendas, verbas. Bolsonaro poderia se colocar como comunista, liberal, conservador, o que fosse, mas dando essas coisas que eu citei, o centrão estaria totalmente feliz com ele. Por isso repito, vejo nessa declaração um esgotamento com a presidência e uma saudade dos tempos de deputado federal.

Deputado federal sem liderança?

Liderança do bolsonarismo pode ser, pois para isso ele não precisa fazer nada, basta ser o que ele é. Mas creio que ser líder da direita não anime tanto Bolsonaro. Na verdade, acho que nunca animou. Bolsonaro gostava de ser aquele deputado federal que dava suas opiniões fortes e autênticas e era ovacionado por uma grande quantidade de pessoas. Quando ele foi alçado ao posto de presidente da república e líder da direita brasileira, fica nítido que ele passou a ser uma pessoa mais abatida, mais cansada e mais estressada. 

Liderar a direita no Brasil também não se torna mais difícil pelo fato dessa própria direita ainda não estar totalmente formada?

Era essa a missão que Bolsonaro deveria desenvolver em primeiro lugar como líder da direita. Mas além dele não ter aptidão para esse tipo de atividade a meu ver, ainda tem o fato dele ter que governar o Brasil. 

Acredita que surgirá alguém para liderar a direita no Brasil? 

Acho que passaremos a ter esse espaço para ser preenchido. E dizem que na política nenhum espaço fica sem preenchimento, porém ainda não vejo nenhum nome que possa exercer esse papel com aceitação dos direitistas. Acho que muitos vão tentar tirar vantagem, se autopromover, tentar virar líder da direita à força, mas nessas condições tenho certeza que nenhuma liderança vai vingar. 

As redes sociais podem ajudar no surgimento desse novo líder?

Se surgir um novo líder, não tenho nenhuma dúvida que sairá das redes sociais. Pode até ser alguém que já está na política, como aconteceu com Jair Bolsonaro, mas para um político se tornar um líder, nos dias de hoje, ele precisa bombar - pra usar um termo bem virtual - nas redes sociais. Dificilmente será com projetos durante algum mandato ou com declarações padrões em entrevistas na mídia tradicional.

Pode ser um youtuber?

Poder, pode. Mas teria que surgir alguém que ainda não surgiu. Os youtubers atuais de direita estão interessados em ganhar dinheiro no YouTube. Quer ver os youtubers de direita realmente ficarem irritados? É tirar monetização ou engajamento dos seus vídeos. Se você for olhar, o objetivo deles não é construir uma base para a direita brasileira, apesar deles falarem isso, mas sim vender curso, vender livro, aumentar o número de inscritos, receber doação etc. Alguém para ser líder de direita precisa estar preparado para fundar um partido político, por exemplo. É algo que não vai dar dinheiro, ao contrário, vai fazer a pessoa ter muitos gastos. E também vai dar muitíssimo trabalho. O próprio Bolsonaro já declarou ter desistido do Aliança pelo Brasil por esse motivo. 


Analista político: ''Moro não sinaliza a favor de nenhuma pauta de direita''

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Por Wilson Oliveira

Em sua primeira entrevista, o analista político Rodolfo Quintella, que firmou uma parceria com O Congressista para este ano de 2022, falou sobre o que enxerga para o futuro da direita brasileira no curto-médio prazo. A respeito do ex-juiz Sergio Moro, Quintella afirmou que não vê como o principal nome da Lava Jato poderia ajudar os direitistas, já que não sinaliza apoio a nenhuma pauta que seja realmente de direita.

Sobre o atual presidente da república, Rodolfo Quintella apontou que o principal erro de Jair Bolsonaro foi não ter criado um partido próprio entre os anos de 2015 e 2017, quando sofria menos resistência do establishment e que, por isso, poderia ter mais facilidade nessa missão. O analista se mostrou pessimista sobre os rumos da direita no pós-governo Bolsonaro.

Confira a entrevista completa:

Muitos dizem que Bolsonaro se vendeu ao sistema ao se aliar ao centrão. Concorda?

"O erro do Bolsonaro em toda essa engenharia política foi lá atrás ao não ter criado um partido próprio. A partir do momento que ele se lança para a disputa presidencial - nem digo a partir do momento que ele é eleito, mas sim a partir do momento que ele se lança -, já era. Quando o Bolsonaro é eleito e a direita não tem nenhum partido, atinge-se um ponto de não-retorno".

Então os direitistas têm razão em criticar Bolsonaro por essa aliança?

"Não, mas não os culpo. Eles fazem essa crítica por não saberem ou por não quererem saber como funciona a política, principalmente no Brasil. E ninguém está completamente errado por não querer saber como funciona a política no Brasil, embora eu ache isso muito mais perigoso do que idosos pedindo outra intervenção militar".

Jair Bolsonaro ainda tem chance de promover uma mudança profunda na política brasileira?

"Não. E essa oportunidade não foi perdida em 2019, 2020 ou 2021. Foi perdida entre 2015 e 2017, quando ele não tinha tanta resistência, não estava no foco, e, portanto, teria mais tranquilidade pra criar o seu partido. Quando ele entra no foco, atinge uma resistência enorme por parte do sistema e tudo isso sem ter um partido próprio, ele se torna um alvo fácil que não tem nenhuma base para lhe dar suporte. É um general que tem soldados, mas não tem QG".

Na sua opinião, por que Bolsonaro não criou um partido próprio lá atrás?

"Precisamos fazer um exercício de análise fria, sem ficar com endeusamentos. Por mais que Bolsonaro tenha se colocado como outsider na campanha de 2018, ele não estava totalmente fora do sistema político brasileiro. Ele transitou por vários partidos sem manifestar nenhuma vontade de ter uma legenda própria. Ele estava à vontade no PP, mesmo rejeitando propina. Depois foi pro PSL e confiou em pessoas que ele nem conhecia direito. A meu ver, Bolsonaro não viu a necessidade de um partido de direita, o que aquela altura já era gritante para quem já tinha noção de política"

Você acha que Bolsonaro não deu contribuições para a direita brasileira?

"Deu, sim. A maior contribuição dele foi a confiança em uma imensa quantidade de brasileiros que hoje se dizem de direita sem medo de serem associados pela esquerda, maldosamente, com isso ou aquilo. Até gente que detesta o Bolsonaro hoje pode se dizer de direita graças ao presidente. Antes dele, ou a pessoa se dizia esquerdista ou dizia que não ligava para política. No máximo admitia que iria votar no PSDB, mas quase implorando para não ter que explicar o motivo do voto".

Existem opções para a direita brasileira fora do bolsonarismo?

"Opções direitistas não existem. Na direita brasileira infelizmente só há o Bolsonaro. E digo infelizmente porque o fato de só existir nosso atual presidente mostra como a direita ainda está pequena, sem desenvolvimento, sem estrutura. Hoje, o que se pode dizer caso Bolsonaro perca a eleição é que a direita brasileira ficará completamente perdida, sem chão, sem rumo e sem horizonte". 

Os filhos de Bolsonaro não poderiam conduzir a direita após o governo do pai?

"Espero que queimem a minha língua, mas não creio. O Flavio está cada dia mais parecido com um político do centrão, o que já o descredencia completamente pra liderar a direita. Eduardo poderia assumir esse papel, mas não sinto nenhuma firmeza nele para tal, nem vontade. O Carlos nem vejo como um político, mas apenas como um mero defensor do pai". 

A direita poderia tirar alguma vantagem caso Sergio Moro se tornasse um nome forte?

"Eu não diria vantagem. Porém, a meu ver, certamente um governo Moro seria bem menos nocivo para a direita do que um governo Lula. Esse papo de que o Lula respeita a democracia, é um cara de diálogo etc é uma tremenda história da carochinha. Se Lula realmente respeitasse a democracia, não teria permitido Mensalão nem Petrolão, muito menos falaria em regular os meios de comunicação. Só por esses três fatores já fica absolutamente impossível colocar o Moro no mesmo patamar de perigo que o Lula. Porém, Moro não sinaliza a favor de nenhuma pauta de direita, então não vejo como ele poderia ajudar os direitistas em alguma coisa". 

Muitos dizem que a defesa da Lava Jato é uma postura de direita...

"Isso é analfabetismo político. Há esquerdistas que querem roubar o protagonismo do PT na esquerda e que, para tal, estão defendendo a Lava Jato com unhas e dentes. As pessoas precisam entender que a Lava Jato não foi um evento ideológico, mas sim uma operação. Não foi nada além do que uma operação. Se as pessoas envolvidas na operação têm ideologia - e desconheço que essas pessoas sejam de direita, vejo muito mais traços de social-democracia -, paciência. Se formos seguir essa lógica, absolutamente tudo hoje em dia vai se transformar em evento ideológico, pois dada a polarização que vemos atualmente no país, todo mundo tem um lado".

Quando estivermos mais próximos das eleições, acredita que Sergio Moro poderá fazer algum gesto no sentido de defender pautas de direita?

"Pelas pessoas que estão o auxiliando, talvez ele comece a defender com alguma ênfase o liberalismo econômico, mas sem deixar de lado uma certa dose de assistencialismo social-democrata, pois o Podemos tem um pé em cada lado dessa polarização econômica, digamos assim. Mas não acredito que o Moro vá defender pautas conservadoras. Tenho pra mim que ele acha isso desnecessário, além de não querer criar embate com progressistas que estão no seu entorno. E seus apoiadores também não fazem questão, mesmo os mais conservadores". 

Tarcísio aceita concorrer ao governo de SP

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Por Wilson Oliveira

O martelo está batido. O ministro da Infraestrutura Tarcisio Gomes de Freitas aceitou concorrer na eleição para o governo de São Paulo. O anúncio público, entretanto, se dará após o lançamento das próximas rodadas de pesquisas.

Vários partidos políticos, tanto os que apoiam o presidente Bolsonaro como os que fazem oposição, já foram informados que o nome do ministro apresentará um crescimento nos próximos levantamentos nos cenários sem o ex-governador Geraldo Alckmin, alcançando o segundo lugar, com empate técnico com o petista Fernando Haddad, por ora primeira colocado. 

Ainda não se sabe, no entanto, se os institutos irão apresentar cenários que contenham o nome de Alckmin. Nesse caso, Tarcísio cai para quarto lugar, ficando com menos de 10% de votos. Partidos que tentam construir uma terceira via, como o PSD e o União Brasil, torcem para que as pesquisas tragam o nome do Geraldo Alckmin como um dos postulantes ao Palácio dos Bandeirantes.

Mas enquanto não ocorre a divulgação de nova rodada de pesquisas, o ministro do governo federal intensificou agendas em São Paulo e ficou animado ao testemunhar, pessoalmente, a aceitação ao seu nome, principalmente por parte do empresariado. Ele também visitou políticos do estado, como prefeitos do interior e a deputada estadual Janaina Paschoal, com quem conversou por cerca de quatro horas. 

>>> A direita precisa reagir com inteligência a essa perseguição!

Fonte próxima a Tarcisio repassou a O Congressista que a pré-candidatura do titular da Infraestrutura ao Palácio dos Bandeirantes está sendo bem recebida não apenas por empresários bolsonaristas, mas também pela parcela do empresariado que apoiará Sérgio Moro na eleição presidencial e também por empresários que ainda não decidiram em quem votar para presidente.  

Tarcísio Gomes de Freitas está sendo visto em São Paulo como um nome eficiente, ótimo gestor, com diálogo muito positivo com a classe produtiva e sem os vícios dos políticos tradicionais. Seus auxiliares, no entanto, relatam que ainda é preciso aproximar o nome do ministro aos eleitores das classes C e D.

No PL, entretanto, ainda existe uma desconfiança. Dirigentes do diretório paulista do partido ainda acreditam que essa boa relação do ministro com parte do empresariado paulista não será suficiente para colocá-lo no segundo turno, pois para isso, segundo esses dirigentes, é preciso conquistar o "povão" na capital e/ou a grande massa de eleitores tucanos do interior.  

E justamente por conta dessa desconfiança do PL, Tarcísio Gomes de Freitas ainda não se decidiu por qual partido irá concorrer. O presidente Jair Bolsonaro faz pressão para que seu ministro vá para a mesma legenda que a sua, mas o PSC e o Republicanos estão se mostrando mais interessados na filiação de Tarcísio. 

Kassab se movimenta para atrapalhar candidatura de Tarcísio Gomes em SP

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Por Wilson Oliveira

Caiu como um balde de água fria no PT as declarações de Gilberto Kassab, presidente do PSD, de que o partido irá apoiar Geraldo Alckmin caso ele resolva disputar a eleição para o governo de São Paulo. Os petistas contavam que o partido poderia desistir da candidatura de Rodrigo Pacheco à presidência para filiar Alckmin e tê-lo na chapa de Lula como vice.

Agora, com esse direcionamento dado por Kassab, Lula e companhia, que antes viam com bons olhos a filiação de Alckmin ao PSD, torcem para que o ex-governador de São Paulo se filie ao PSB, um aliado mais próximo e mais histórico do PT, e, uma vez filiado ao partido socialista, aceite oficialmente ser vice de Lula. É um caminho, inclusive, que hoje aparece como bastante provável. 

Gilberto Kassab, por sua vez, não se sente atraído por essa ideia. O presidente do PSD confirmou que o partido está com "sua vida tranquila" sobre a eleição para presidente da república, por já ter anunciado Rodrigo Pacheco como pré-candidato, e que o apoio a Alckmin para o governo de São Paulo acontecerá independente da legenda que o (ainda) tucano escolher para se filiar. 

É importante salientar que ainda não está completamente descartada a hipótese de Geraldo Alckmin permanecer no PSDB e disputar o Senado por São Paulo, fazendo uma dobradinha com Rodrigo Garcia, pré-candidato tucano ao governo. A pressão dentro do partido para que Alckmin escolha essa opção está bem grande, reunindo adversários na disputa dentro da legenda, como apoiadores e contrários ao governador João Doria. 

>>> A direita precisa reagir com inteligência a essa perseguição!

O objetivo de Kassab, por sua vez, não é o de atrapalhar o caminho de Lula, embora isso vá acontecer caso Geraldo Alckmin resolva disputar o Palácio dos Bandeirantes. A intenção é de atrapalhar Tarcísio Gomes de Freitas, candidato dos sonhos do presidente Jair Bolsonaro e que terá caminho livre no PL para se lançar, caso essa seja a sua vontade. 

Fontes confirmaram a O Congressista que o PSD fez uma pesquisa para saber qual nome teria mais chances de herdar os votos de Geraldo Alckmin na eleição para governo de São Paulo. O levantamento mostrou Tarcisio liderando com folga, chegando ao primeiro lugar, podendo até ser eleito em primeiro turno. Daí a tentativa de convencer Alckmin a entrar na disputa paulista. O partido está convencido que Rodrigo Garcia corre o risco de ficar fora do segundo turno.

A leitura do PSD é bem objetiva e pragmática. O partido não se importa com quem será o novo governador de São Paulo, desde que seja alguém que abra as portas para a legenda de Kassab ganhar cargos no primeiro escalão do secretariado. Kassab e seus auxiliares partidários, entretanto, acreditam que se Tarcisio for o próximo chefe do governo paulista essa chance de importantes nomeações para o PSD está completamente descartada.

Bolsonaro se irrita com 'teimosia' de Weintraub de disputar governo de SP

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Por Wilson Oliveira

O presidente Jair Bolsonaro está bastante irritado com o que chamou de "teimosia" do ex-ministro Abraham Weintraub de disputar o governo de São Paulo. Na avaliação do presidente da república, a única coisa que Weintraub conseguirá ao insistir nisso é tirar alguns votos de Tarcísio Gomes de Freitas, atrapalhando, portanto, a candidatura do nome apoiado pelo governo federal.

Como publicado neste sábado por O Congressista, o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub está valorizado. Atualmente, Weintraub está sendo disputado por quatro legendas: PTB, PMN, PRTB e Democracia Cristã (DC). Todos esses partidos sonham com a possibilidade de lançar o ex-auxiliar de Bolsonaro na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

Na tentativa de contornar o desgaste que vai se criando entre Jair Bolsonaro e Abraham Weintraub, deputados bolsonaristas entraram em ação e sugeriram a Weintraub que ele disputasse a eleição para deputado federal. Na avaliação desses parlamentares, o ex-ministro tem força suficiente para carregar consigo de três a cinco candidatos para a Câmara, formando, portanto, uma bancada consistente do partido a que ele se filiar. 

>>> A direita precisa reagir com inteligência a essa perseguição!

Abraham Weintraub, no entanto, ao receber essa sugestão, respondeu dizendo que seu nome "é grande demais" para concorrer a deputado federal, que no seu entender é um cargo "muito pequeno". Essa resposta do ex-chefe do MEC, além de deixar Bolsonaro ainda mais irritado, vai na contramão do que analistas sinalizam sobre a necessidade da direita se fazer presente com o máximo possível de força no Congresso Nacional. 

Outro ponto problemático que pode ser gerado com a candidatura de Weintraub ao governo de São Paulo é o fato do partido a que ele se filiar ser menos uma legenda na coalizão de Tarcísio Gomes de Freitas na eleição paulista. E caso Abraham Weintraub consiga o apoio dos outros três partidos que também querem a sua filiação, já serão menos quatro potenciais apoios para Tarcísio. Bolsonaro também está incomodado com essa situação. 

Quatro partidos brigam pela filiação de Abraham Weintraub

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Por Wilson Oliveira

O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub está valorizado. Atualmente, Weintraub está sendo disputado por quatro legendas: PTB, PMN, PRTB e Democracia Cristã (DC). Todos esses partidos sonham com a possibilidade de lançar o ex-auxiliar de Bolsonaro como candidato ao governo de São Paulo.

A ideia do próprio Abraham é disputar o Palácio dos Bandeirantes mesmo que o PL confirme o lançamento de Tarcísio Gomes de Freitas, como é o desejo do presidente Jair Bolsonaro. Nesse caso, o eleitor paulista pode ter duas opções de direita na eleição de 2022.

O PTB, que passa por um processo de transformação para ficar cada vez mais alinhado ao conservadorismo, é apontado como um dos favoritos para ser a escolha de Weintraub. O partido, inclusive, não tem sinalizado apoio a nenhum dos nomes já cogitados ao Palácio dos Bandeiras, nem mesmo Tarcísio Gomes de Freitas, que deve ser lançado por Jair Bolsonaro no PL.

>>> A direita precisa reagir com inteligência a essa perseguição!

No entanto, o PMN também tem boas chances de ser a legenda escolhida pelo ex-ministro. E o motivo chama-se Oswaldo Eustáquio, que se filiou ao partido após desentendimentos no PTB. O jornalista já é nome certo do partido para ser lançado ao Senado, também por São Paulo, e fez pessoalmente o convite a Abraham Weeintraub para compor chapa. 

PRTB e Democracia Cristã (DC) correm por fora nessa disputa. Os dois partidos, segundo fontes consultadas por O Congressista, estariam dispostos a ceder o controle do diretório de São Paulo a Weintraub caso um desses dois seja a escolha do ex-ministro. Essa condição, entretanto, não existe nem no PTB nem no PMN.

Ainda sem uma definição partidária, Abraham Weintraub já tem uma equipe pronta para trabalhar na sua candidatura ao governo paulista e um roteiro montado de viagens pelo estado de São Paulo para apresentar as suas ideias. O ex-ministro tem até março para se filiar a alguma legenda dentro do prazo para participar das eleições em 2022.

Podemos orienta Moro a concentrar suas críticas apenas em Lula

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Por Wilson Oliveira

Quando Sergio Moro acertou sua filiação ao Podemos para concorrer à presidência da república, uma questão ficou definida entre o ex-juiz da Lava Jato e seu partido político: os ataques deveriam recair muito mais em Lula do que em Bolsonaro. A avaliação de dirigentes do partido é que Moro tem um enorme potencial de roubar votos de desiludidos com o atual governo federal, como o próprio Sergio Moro, mas que arrancar votos do petista seria uma missão completamente impossível. 

Seguindo nessa linha, esses caciques partidários concluíram que disparar críticas ao ex-presidente da república seria o bastante para conquistar de vez esses votos, impedindo também que esses descontentes migrassem para a candidatura de Ciro Gomes, do PDT, que antes da entrada de Moro na disputa tentava se viabilizar como candidato da chamada "terceira via".

Como prova de que essa orientação está sendo seguida à risca, nesta quinta-feira Sergio Moro subiu o tom nas críticas ao pré-candidato petista. Moro disse que o valor do salário que passou a receber do Podemos (R$ 22 mil) foi definido em comum acordo com a direção do partido e que esse montante é menor do que aquele recebido por Lula do PT (R$ 27 mil). Além disso, o ex-juiz da Lava Jato, responsável pelas condenações do próprio Lula, afirmou que o petista não deve nem saber o preço atual da gasolina por andar cercado de seguranças.  

>>> A direita precisa reagir com inteligência a essa perseguição!

Em parte, essa estratégia parece estar dando certo. De acordo com as pesquisas divulgadas após a filiação de Moro ao Podemos, o ex-juiz aparece com um percentual de votos suficientes para deixá-lo em terceiro lugar, fazendo Ciro Gomes perder valiosa quantia. No entanto, de acordo com especilistas ouvidos por O Congressista, boa parte desses votos atualmente atribuídos a Moro podem retornar para Jair Bolsonaro a partir do momento que a economia brasileira recuperar seu fôlego e esses eleitores perceberem que o segundo turno será mesmo entre o atual presidente e o petista. 

E como nem tudo são flores nessa recém iniciada caminhada de Moro no mundo eleitoral, ainda existe uma pedra no sapato do ex-juiz que é a sua já conhecida posição "em cima do muro". Muitos eleitores declaradamente de direita têm cobrado de Sergio Moro posicionamentos em temas considerados essenciais, principalmente aos conservadores. Desde que aceitou ser ministro de Bolsonaro, entretanto, o ex-juiz tem mantido um perfil tipicamente "isentão". 

Para aprofundar ainda mais essa desconfiança do eleitorado direitista sobre Sergio Moro, não foram raras as tentativas do ex-ministro de nomear quadros progressistas quando comandava a pasta de Justiça e Segurança Pública. Em alguns desses casos, o presidente Jair Bolsonaro precisou intervir para desfazer as nomeações e, assim, acalmar os ânimos dos apoiadores do governo, obviamente pessoas de direita. 

Dentro do Podemos, entretanto, embora o nome de Sergio Moro não tenha enfrentado nenhuma resistência, há quadros que são simpáticos ao presidente Jair Bolsonaro, inclusive atuando claramente a favor do governo. Um exemplo é o senador Eduardo Girão, que embora se declare independente, tem uma atuação parlamentar considerada governista. Na CPI da Covid, Girão ficou ao lado do grupo minoritário que defendeu Bolsonaro. Na Câmara, está previsto que alguns deputados do Podemos migrem para o PL assim que for aberta a janela partidária, em maio, num movimento de abandono de Moro e adesão à reeleição do presidente.

Bolsonaro torce para Alckmin aceitar ser vice de Lula

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Por Wilson Oliveira

Não foi apenas a resolução de todos os entraves com o PL o que deixou o presidente Jair Bolsonaro mais confiante nos últimos dias. Na verdade, o principal motivo foi uma informação que ele recebeu dos seus assessores: Geraldo Alckmin está animado com o convite e deve aceitar ser vice na chapa de Lula ano que vem. 

Jair Bolsonaro não esconde a torcida para que isso aconteça, pois acredita que a saída de Alckmin da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes fará com que as chances do ministro Tarcísio Gomes de Freitas se tornar o novo governador de São Paulo disparem. O cálculo do presidente é que seu auxiliar será o herdeiro natural dos votos tucanos no interior do estado. 

Bolsonaro acredita que nem o atual vice-governador, Rodrigo Garcia, nem qualquer outro nome terá condições de substituir Geraldo Alckmin melhor que Tarcisio no imaginário dos eleitores paulista e paulistano que não querem, de jeito nenhum, a extrema-esquerda governando o estado. 

>>> A direita precisa reagir com inteligência a essa perseguição!

Por outro lado, Lula mais uma vez fez um gesto para tentar atrair Alckmin para a sua chapa, afirmando, nesta terça-feira, que espera o tucano definir seu destino partidário para que a composição petista seja fechada. 

A torcida do ex-presidente é para que o ex-governador migre para o PSD, e não para o União Brasil, conforme já informado por O Congressista. No entanto, recentemente surgiu a possibilidade de Geraldo Alckmin se filiar ao PSB, o que deixou Lula e seus aliados ainda mais motivados.

Históricos aliados de Lula e do PT, tanto do mundo político como de centrais sindicais, têm incentivado a realização da dobradinha entre um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e um dos fundadores do PSDB, o que reforçará ainda mais a proximidade dos dois partidos, ao contrário do que sugeriram suas lideranças em eleições passadas. 

PL está dividido sobre Tarcisio em SP, mas decisão será de Bolsonaro

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Por Wilson Oliveira

A reunião ocorrida esta semana entre o presidente Jair Bolsonaro e o cacique do PL, Valdemar Costa Neto, resolveu questões importantes para confirmar a filiação do chefe do governo federal ao partido, no próximo dia 30. A principal é sobre São Paulo. Ficou decidido que Bolsonaro terá palavra final para escolher tanto o candidato ao governo como ao Senado. 

Como já é do conhecimento de todos, a vontade do presidente da república é lançar o ministro da Infraestrutura Tarcisio Gomes de Freitas para a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Por parte do PP, partido que indicará o vice na chapa de Bolsonaro, a opção é vista com desconfiança. No PL, existe uma divisão, principalmente no diretório paulista. Uma parte está bastante entusiasmada com o nome de Tarcísio, enquanto outra acredita que o ministro não tem chance. 

O Congressista conversou rapidamente com dois dirigentes paulistas do PL para entender melhor esse choque de visões. Um acredita na vitória de Tarcísio, enquanto outro não leva fé. Ambos pediram para ficar no anonimato para não tumultuarem as negociações, mas foram receptivos às nossas perguntas.

O dirigente que é a favor explicou a sua posição fazendo uma metáfora bastante curiosa.

"Depois de ver a Avenida Paulista completamente tomada no dia 7 de setembro, fiquei convicto que o Bolsonaro elege para o Bandeirantes até o Coelhinho da Páscoa, se ele quiser".

Esse dirigente do PL explicou o que falta para o nome de Tarcísio Gomes de Freitas ser confirmado.

"Só falta o OK do próprio Tarcísio. Da parte do presidente Bolsonaro e do Valdemar já ficou tudo equacionado. Bolsonaro vai escolher quem ele quiser tanto para o governo como para o Senado por São Paulo". 

>>> A direita precisa reagir com inteligência a essa perseguição!

O integrante do diretório paulista do PL também esclareceu que não havia acordo confirmado de apoio a Rodrigo Garcia, atual vice-governador de São Paulo.

"Não existia (acordo com Rodrigo Garcia), era apenas uma conversa preliminar, uma inclinação do partido. Mas a gente nem podia confirmar nada pois nem o PSDB tem a sua vida definida". 

O outro dirigente do PL-SP que aceitou conversar com O Congressista encheu o ministro Tarcisio de elogios.

"Eu gostaria muito de acreditar que o Tarcisio é o favorito para vencer o governo de SP. Trata-se de um cara trabalhador, competente, uma pessoa da melhor qualidade. Ele é tão bom que recebe elogios até de gente da oposição". 

Mas após os elogios, trouxe um resumo do panorama eleitoral que ele enxerga no estado de São Paulo.

"Infelizmente a disputa no estado de São Paulo é muito mais complexa do que parece para quem é de fora. A esquerda domina a capital, e o PSDB domina o interior". 

Esse dirigente afirmou que acreditaria na vitória de Tarcísio em São Paulo caso o ministro começasse a rodar o interior do estado há um ano.

"Para o Tarcisio ter chances reais, ele deveria estar rodando as cidades do interior há pelo menos um ano. E pelo que sei, ele rodou muito mais o Centro-Oeste por ter nos seus planos se lançar ao Senado por algum estado daquela região".

Além da situação em São Paulo, outras questões foram pacificadas na reunião entre Bolsonaro e o presidente do PL. Valdemar se encarregou de neutralizar as intenções dos diretórios do Amazonas, de Alagoas e do Pernambuco de se coligarem com partidos da esquerda, como PT e PDT. 

Bolsonaro está em dúvida entre General Heleno e Bia Kicis para o Senado

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Por Wilson Oliveira

O presidente Jair Bolsonaro está perto de fechar algumas chapas e, enfim, ter seus palanques definidos em cada local do país. No Distrito Federal, falta apenas definir quem será seu candidato para o Senado. Os dois possíveis nomes são da deputada federal Bia Kicis e do ministro do Gabinete de Segurança Institucional General Augusto Heleno. 

Por parte do PL, existe uma torcida velada para que a deputada Bia Kicis seja a escolhida, uma vez que ela já definiu que na próxima janela partidária deixará o PSL - que vai se transformar em União Brasil - para se filiar ao partido de Valdemar Costa Neto, que vê com bons olhos a chegada da deputada federal.

Caso Augusto Heleno seja o escolhido por Bolsonaro para a missão, é dado como certo que ele se filiará a outra legenda que não será nem PP nem PL. Republicanos e PSC são opções consideradas, mas não está descartado que o chefe do GSI opte até mesmo por uma sigla nanica. 

Outro ponto que faz os partidos do chamado centrão preferirem a escolha por Bia Kicis é o fato do próprio Heleno não estar seguro de que concorrer ao Senado é a melhor opção para si. Segundo fontes do governo federal, ele tem deixado claro em conversas de bastidores que prefere se candidatar para deputado federal.

>>> A direita precisa reagir com inteligência a essa perseguição!

Caso Heleno se lance para a Câmara por um partido nanico, PP e PL temem que ele puxe votos e eleja outros nomes dessa pequena legenda, que se fortaleceria e seria mais uma a ocupar espaço na base de apoio ao governo federal, o que faria os demais partidos terem que dividir ainda mais o "bolo governamental".

Candidatura para o governo do DF já tem nome praticamente certo

A vaga para candidato ao governo do DF com apoio do presidente Jair Bolsonaro está praticamente certo via acordo entre os partidos da coalizão bolsonarista. A ministra-chefe da Secretaria de Governo Flavia Arruda já estava acertada para esse posto quando foi nomeada por Bolsonaro para o ministério do governo federal. 

Deputada federal pelo PL, ela sempre deixou claro que seu projeto político passava pela eleição ao governo do DF em 2022. Esse é um dos casos que Bolsonaro cedeu para fechar sua filiação ao partido de Valdemar Costa Neto. Sendo assim, Flavia apenas aguarda a definição do chefe do governo federal quanto ao candidato ao Senado para saber com quem fará dobradinha no ano que vem. 

A candidatura da ministra ao governo brasiliense receberá o apoio do PP e do Republicanos. PSC e outros partidos também devem fechar questão para apoiar a candidata de Jair Bolsonaro.